Home Artigos Corrida dos data centers coloca a climatização no centro da economia digital

Corrida dos data centers coloca a climatização no centro da economia digital

por Paulo Fernandes Maciel

A corrida dos data centers cria uma nova indústria bilionária e coloca a climatização no centro da economia digital

Expansão acelerada da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos investimentos em infraestrutura digital transforma sistemas de refrigeração em componente estratégico para evitar falhas operacionais, reduzir consumo de energia na corrida dos data centers e garantir a viabilidade dos novos empreendimentos

O avanço da inteligência artificial está desencadeando uma corrida global por infraestrutura digital e abrindo uma nova frente de investimentos no Brasil. Segundo informações divulgadas pelo Ministério das Comunicações com base em estudo da Moody’s, os data centers devem receber cerca de US$ 3 trilhões em investimentos no mundo nos próximos cinco anos. O Brasil ocupa atualmente a 12ª posição no ranking global do setor, concentra aproximadamente metade do mercado latino-americano e pode receber entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em novos aportes nos próximos quatro anos.

Retec – Patrick Galletti (foto divulgação)

Anúncios bilionários na corrida dos data centers

Por trás dos anúncios bilionários de expansão de empresas de tecnologia, existe um desafio menos visível, mas decisivo para a operação desses empreendimentos: a climatização. Em um data center, o controle térmico não está relacionado ao conforto humano, mas à sobrevivência da infraestrutura. Qualquer falha na refrigeração pode interromper operações críticas, provocar indisponibilidade de serviços digitais e gerar prejuízos milionários.

Para Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização e CEO do Grupo RETEC, a discussão sobre data centers no Brasil costuma se concentrar em energia, conectividade e incentivos fiscais, enquanto a gestão térmica ainda recebe menos atenção do que deveria.

“Quando falamos de inteligência artificial, falamos de equipamentos com altíssima capacidade de processamento funcionando de forma contínua. Quanto maior o processamento, maior a geração de calor. A refrigeração deixa de ser uma infraestrutura de apoio e passa a ser um elemento crítico da operação. Sem controle térmico adequado, o risco de falhas aumenta significativamente”, afirma.

A conta invisível da inteligência artificial

A corrida global pela inteligência artificial trouxe um desafio que começa a preocupar governos, investidores e operadores de infraestrutura, que é o consumo de energia. Quanto mais avançados os modelos de IA, maior a necessidade de processamento e, consequentemente, maior a geração de calor dentro dos centros de dados.

No contexto da corrida dos data centers, a climatização passou a ocupar posição estratégica, sistemas de refrigeração representam uma das maiores despesas operacionais dos data centers e influenciam diretamente a rentabilidade dos projetos. Em instalações que funcionam 24 horas por dia, pequenas variações de temperatura podem comprometer equipamentos de alto valor e provocar interrupções em serviços essenciais.

“Existe uma discussão muito forte sobre capacidade energética, mas pouco se fala sobre eficiência térmica. A inteligência artificial aumenta a densidade computacional dos equipamentos e isso exige soluções de climatização cada vez mais sofisticadas para manter a operação segura e economicamente viável”, afirma Galletti.

A busca por eficiência tem impulsionado a adoção de tecnologias como automação predial, sensores de monitoramento em tempo real, sistemas de água gelada de alta performance, controle inteligente de fluxo de ar e plataformas que ajustam automaticamente o funcionamento dos equipamentos conforme a demanda operacional.

“Os projetos mais modernos utilizam automação, sensores em tempo real, sistemas de água gelada de alta eficiência, controle inteligente de fluxo de ar e monitoramento permanente das condições ambientais. O objetivo é garantir estabilidade térmica consumindo menos energia”, explica.

A corrida dos datacenters gera uma nova cadeia bilionária de negócios

O crescimento dos data centers também movimenta uma cadeia econômica muito maior do que a maioria das pessoas imagina. Além das empresas de tecnologia, o setor impulsiona investimentos em engenharia, construção civil, energia, automação, telecomunicações, manutenção especializada e infraestrutura predial.

Em 2025, o governo federal anunciou iniciativas para estimular a instalação de novos data centers no país, aproveitando fatores considerados competitivos, como a matriz energética predominantemente renovável, a disponibilidade territorial e a posição estratégica do Brasil para atendimento do mercado latino-americano.

Para Patrick, a expansão do setor representa uma oportunidade importante para empresas brasileiras especializadas em infraestrutura crítica.

“Durante muitos anos o Brasil acompanhou a evolução tecnológica como consumidor. Agora existe a possibilidade de participar da construção dessa infraestrutura. Data centers exigem conhecimento técnico altamente especializado e isso abre espaço para geração de empregos qualificados, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento de diversos setores da economia”, afirma.

Eficiência energética vira diferencial competitivo

A preocupação com sustentabilidade também passou a influenciar diretamente os investimentos no setor. Operadores e investidores buscam projetos capazes de equilibrar desempenho computacional, segurança operacional e eficiência energética.

Nesse processo, a climatização ganhou protagonismo. Soluções capazes de reduzir desperdícios e otimizar o consumo elétrico ajudam a diminuir custos operacionais e contribuem para metas ambientais cada vez mais exigidas por investidores e grandes empresas globais.

“Os investidores observam não apenas capacidade de processamento, mas também eficiência energética, pegada de carbono e confiabilidade operacional. A climatização participa diretamente dessas três variáveis. Quanto mais eficiente for o sistema térmico, menor será o custo operacional e maior será a competitividade do empreendimento”, diz Galletti.

Para o executivo, a expansão da inteligência artificial está criando um mercado que vai muito além dos algoritmos e das plataformas digitais.

“A sociedade costuma enxergar a inteligência artificial apenas como software. Mas existe uma infraestrutura física gigantesca sustentando essa transformação. E uma parte fundamental dessa estrutura está na climatização. A economia digital depende de ambientes capazes de operar sem interrupções, com segurança, eficiência e estabilidade térmica. Esse será um dos grandes desafios tecnológicos e econômicos da próxima década”, conclui.

Sobre Patrick Galletti

Patrick Galletti é Engenheiro Mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização, pós-graduando em Qualidade do Ar e especialista no “Impacto das mudanças climáticas na saúde das pessoas”, pela Universidade de Harvard. Possui experiência em engenharia de orçamento, gerenciamento de riscos de construções, obras e operações offshore em uma das maiores empresas do Brasil, além de onze anos de atuação no mercado de climatização. Atualmente, é CEO do Grupo RETEC, uma empresa pioneira e referência com mais de 44 anos de atuação no mercado de AVAC-R (aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração).

Para mais informações, visite o Instagram

Sobre o Grupo RETEC

O Grupo RETEC é referência, há mais de 44 anos, no setor de climatização e refrigeração no Distrito Federal e Goiás, oferecendo soluções integradas para instalação de ar-condicionado, ventilação, isolamento térmico e renovação de ar. Com uma equipe altamente qualificada e parcerias com fabricantes líderes, a empresa garante acesso às tecnologias mais avançadas e inovadoras do mercado. Oferecendo suporte técnico especializado e produtos com pronta-entrega, o Grupo RETEC está comprometido com a excelência, inovação e satisfação de seus clientes em projetos de diferentes portes.

Para mais informações, acesse o site oficial, Linkedin ou pelo Instagram

Fontes de pesquisa

Ministério das Comunicações – Data centers devem receber US$ 3 trilhões em investimentos

https://www.gov.br/mcom/pt-br/noticias/2026/janeiro/data-centers-devem-receber-us-3-trilhoes-em-investimentos-e-brasil-desponta-na-america-latina

Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – Programa Redata

https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2025/setembro/mp-cria-o-redata-que-estimula-datacenters-e-impulsiona-economia-digital-no-brasil

Você também pode gostar

Deixe um Comentário

Ao navegar neste site, você aceita os cookies que usamos para melhorar sua experiência. Aceito Mais informações