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A pressão da IA sobre a demanda na rede elétrica

por Paulo Fernandes Maciel

Data centers de IA aumentam a pressão por automação e a demanda na rede elétrica

Demanda na rede elétrica potencializa o setor de eletricidade devendo ser dez vezes maior em 2036 e exige da rede estabilidade em meio ao avanço de fontes intermitentes

O consumo de eletricidade dos data centers no Brasil deve passar de 3 terawatts-hora (TWh) em 2026 para 30 TWh em 2036, segundo a versão em consulta pública do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sob diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME). A expansão dos investimentos em inteligência artificial está entre os fatores que elevam a demanda por energia firme e ampliam a necessidade de automação do sistema elétrico.

Demanda na rede elétrica

Um data center de IA depende de fornecimento estável e ininterrupto, e uma queda de tensão pode paralisar tarefas longas e comprometer equipamentos de alto valor. O consumo dessas estruturas varia ainda de forma repentina conforme a intensidade do processamento, o que requer da rede reação imediata. Essas exigências contrastam com a intermitência das fontes solar e eólica, cuja produção oscila ao longo do dia e que respondem por uma parcela crescente da matriz elétrica.

“O Brasil tem energia renovável suficiente para atrair data centers, e a disputa agora passa pela capacidade de entregá-la com qualidade no ponto de conexão. Para o investidor, a subestação se torna tão estratégica quanto o terreno e o contrato de suprimento, e quem tratar esse item como detalhe de obra pode atrasar o início da operação ou ter o pedido de acesso negado”, afirma Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta, empresa especializada em automação e infraestrutura elétrica.

O rigor sobre a conexão está ligado ao porte desses empreendimentos. Alguns projetos têm dimensão comparável à de grandes usinas, e um desligamento abrupto nessa escala pode provocar falhas em cadeia no sistema interligado. Por isso, esses data centers tendem a seguir regras semelhantes às aplicadas aos geradores, que devem permanecer em funcionamento durante perturbações.

Demanda na rede elétrica

Nas subestações das concessionárias e nas dos grandes consumidores, a proteção convencional, que se limita a isolar o trecho com defeito, é insuficiente para cargas que precisam continuar conectadas. Sistemas automatizados monitoram tensão, frequência e corrente em tempo real, identificam anomalias antes que evoluam para falhas e coordenam a resposta dos equipamentos para manter o fornecimento. O mesmo controle ajusta a operação diante das mudanças na geração solar e eólica e dos saltos de consumo dos data centers, duas variáveis que se alteram rápido demais para depender de comandos manuais.

Com a digitalização, sensores e sistemas de comunicação integrados levam as informações de cada subestação aos centros de operação no mesmo instante, o que permite antecipar sobrecargas, programar a manutenção com base no desgaste real dos equipamentos e conhecer melhor um perfil de demanda ainda pouco estudado. Para o operador, essa visibilidade transforma a gestão da rede, até então centrada em corrigir problemas depois que eles acontecem, em um trabalho de prevenção.

“A automação vai definir quanto do crescimento previsto para a próxima década poderá ser atendido com a infraestrutura existente. Novas linhas de transmissão levam anos para ficar prontas, e uma rede com esse nível de inteligência abre espaço para conectar mais carga com segurança nesse intervalo, o que pode ser decisivo para o país não perder investimentos em data centers para outros mercados”, conclui o executivo.

Sobre o Grupo Setta

O Grupo Setta é um conglomerado de empresas com mais de 30 anos de experiência e sólida atuação em engenharia elétrica no Brasil. Especializada em soluções integradas, a empresa se dedica a impulsionar a eletrificação, automação e digitalização, apoiando indústrias e sociedade na transição energética. Suas frentes de atuação incluem a fabricação de painéis elétricos, projetos e instalações elétricas, automação industrial e de energia, digitalização e a comercialização de produtos por meio das Lojas Setta, além de todas as soluções de Subestações em Alta, Média e Baixa tensão convencionais e compactas (Eletrocentros e skids). Com foco em eficiência operacional, segurança e sustentabilidade, o conglomerado investe continuamente em inovação e no futuro de uma sociedade mais sustentável.

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