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A IA está mudando a apresentação de projetos de arquitetura

por Paulo Fernandes Maciel

De dias a minutos: como a IA está mudando a apresentação de projetos de arquitetura

Tecnologia agiliza a visualização na apresentação de projetos de arquitetura mas exige revisão profissional

O tempo gasto na apresentação de projetos para mostrar a um cliente como um ambiente ficará depois de pronto está mudando com a inteligência artificial. No projeto de interiores HER, a arquiteta e pesquisadora Juscelle M. C. Barros passou de dias de trabalho na produção de imagens para minutos ou horas, dependendo da quantidade de cenas e dos ajustes necessários. A mudança ocorreu com o uso do Redraw, ferramenta de IA aplicada à visualização arquitetônica, e ilustra como a tecnologia começa a alterar uma etapa da rotina de arquitetos e designers de interiores.

O projeto era um quarto compacto, planejado para combinar acolhimento e sofisticação. A composição reunia tons de blush, bege quente e rosé, madeira natural, cabeceira estofada, cortinas do piso ao teto e uma penteadeira com espelho redondo. Mais do que definir a posição dos móveis, o desafio era comunicar como texturas, materiais e iluminação contribuiriam para a sensação do ambiente.

apresentação de projetos

Juscelle desenvolveu o modelo tridimensional no SketchUp, com o layout, a marcenaria e os materiais definidos. Em seguida, utilizou o Redraw para gerar as imagens de apresentação de projetos. Antes disso, recorria a uma representação artística que envolvia pesquisa de referências, seleção de ilustrações e edição no Photoshop, um processo que podia consumir dias.

“Com o Redraw, passei a levar minutos ou horas, dependendo da quantidade de imagens que quero. Algumas imagens do HER foram geradas em um único clique, sem prompt, e já estavam prontas para apresentar”, relata a arquiteta.

O que muda quando o projeto vira imagem

A principal diferença percebida pela profissional foi a possibilidade de explorar visualmente detalhes que ajudam a definir a identidade do ambiente. No HER, o tecido bouclé da poltrona, o linho da cabeceira, a trama do tapete e a transparência de um vaso de vidro ganharam destaque nas imagens. A ferramenta também permitiu comparar a iluminação natural filtrada pelas cortinas com a luz artificial prevista para a noite.

Esse tipo de visualização pode facilitar a conversa entre arquiteto e cliente antes da execução. Ao compreender melhor a combinação de materiais e a atmosfera proposta, o cliente tem mais elementos para avaliar as escolhas do projeto, em vez de depender apenas da interpretação de plantas e modelos tridimensionais.

“Um projeto de interiores não é só sobre onde ficam os móveis, é sobre como a pessoa vai se sentir ali. O Redraw me ajudou a mostrar essa atmosfera de forma muito mais fiel e sensível”, afirma Juscelle.

A agilidade, entretanto, não significa que todas as imagens estejam prontas sem intervenção. Segundo a arquiteta, algumas vistas mais abertas apresentaram diferenças em relação ao modelo original e precisaram ser ajustadas ou geradas novamente. A conferência continua sendo necessária para verificar se a imagem respeita as decisões tomadas durante o desenvolvimento do projeto.

A IA não elimina o olhar do arquiteto

O caso evidencia uma distinção importante no uso da inteligência artificial em arquitetura: gerar uma imagem convincente não é o mesmo que garantir a precisão de um projeto. A ferramenta pode apoiar a representação de materiais, texturas e iluminação, mas cabe ao profissional avaliar o resultado e identificar eventuais alterações em relação ao modelo concebido.

No HER, a adoção da tecnologia esteve concentrada na etapa de visualização. As decisões sobre distribuição dos móveis, escolha de materiais, funcionalidade e composição partiram do trabalho da arquiteta. A IA entrou como recurso para apresentar essas escolhas de forma mais próxima da experiência visual pretendida.

Juscelle conta que pesquisou e testou diferentes ferramentas antes de escolher o Redraw para o projeto. Na avaliação dela, além da redução no tempo de produção, a possibilidade de editar imagens existentes facilitou os ajustes sem precisar reiniciar todo o processo.

“Como toda IA, ela ainda pede um olhar atento do designer, especialmente nas vistas mais abertas. Mas, quando você entende como a ferramenta funciona, ela se torna uma grande aliada”, diz.

A experiência do HER mostra uma aplicação prática da inteligência artificial em uma atividade que combina conhecimento técnico e sensibilidade visual. Para escritórios de arquitetura e interiores, a discussão passa a ser não apenas como produzir imagens mais rapidamente, mas como incorporar esses recursos sem comprometer a fidelidade ao projeto e a responsabilidade de quem o desenvolve.

Sobre o Redraw

O Redraw é uma plataforma de inteligência artificial voltada à visualização de projetos de arquitetura e design de interiores, com recursos para transformar modelos e referências em imagens de apresentação.

Sobre Juscelle M. C. Barros

Juscelle M. C. Barros é arquiteta de interiores e pesquisadora e atua à frente da aMaria, iniciativa voltada a neuroarquitetura, interiores e curadoria.

Crédito das imagens: Juscelle M. C. Barros | Arquiteta de Interiores e Pesquisadora; aMaria | Neuroarquitetura · Interiores · Curadoria; @amariaplace e @juamariaa.

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