A corrida dos data centers cria uma nova indústria bilionária e coloca a climatização no centro da economia digital
Expansão acelerada da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos investimentos em infraestrutura digital transforma sistemas de refrigeração em componente estratégico para evitar falhas operacionais, reduzir consumo de energia na corrida dos data centers e garantir a viabilidade dos novos empreendimentos
O avanço da inteligência artificial está desencadeando uma corrida global por infraestrutura digital e abrindo uma nova frente de investimentos no Brasil. Segundo informações divulgadas pelo Ministério das Comunicações com base em estudo da Moody’s, os data centers devem receber cerca de US$ 3 trilhões em investimentos no mundo nos próximos cinco anos. O Brasil ocupa atualmente a 12ª posição no ranking global do setor, concentra aproximadamente metade do mercado latino-americano e pode receber entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em novos aportes nos próximos quatro anos.

Anúncios bilionários na corrida dos data centers
Por trás dos anúncios bilionários de expansão de empresas de tecnologia, existe um desafio menos visível, mas decisivo para a operação desses empreendimentos: a climatização. Em um data center, o controle térmico não está relacionado ao conforto humano, mas à sobrevivência da infraestrutura. Qualquer falha na refrigeração pode interromper operações críticas, provocar indisponibilidade de serviços digitais e gerar prejuízos milionários.
Para Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização e CEO do Grupo RETEC, a discussão sobre data centers no Brasil costuma se concentrar em energia, conectividade e incentivos fiscais, enquanto a gestão térmica ainda recebe menos atenção do que deveria.
“Quando falamos de inteligência artificial, falamos de equipamentos com altíssima capacidade de processamento funcionando de forma contínua. Quanto maior o processamento, maior a geração de calor. A refrigeração deixa de ser uma infraestrutura de apoio e passa a ser um elemento crítico da operação. Sem controle térmico adequado, o risco de falhas aumenta significativamente”, afirma.

A conta invisível da inteligência artificial
A corrida global pela inteligência artificial trouxe um desafio que começa a preocupar governos, investidores e operadores de infraestrutura, que é o consumo de energia. Quanto mais avançados os modelos de IA, maior a necessidade de processamento e, consequentemente, maior a geração de calor dentro dos centros de dados.
No contexto da corrida dos data centers, a climatização passou a ocupar posição estratégica, sistemas de refrigeração representam uma das maiores despesas operacionais dos data centers e influenciam diretamente a rentabilidade dos projetos. Em instalações que funcionam 24 horas por dia, pequenas variações de temperatura podem comprometer equipamentos de alto valor e provocar interrupções em serviços essenciais.
“Existe uma discussão muito forte sobre capacidade energética, mas pouco se fala sobre eficiência térmica. A inteligência artificial aumenta a densidade computacional dos equipamentos e isso exige soluções de climatização cada vez mais sofisticadas para manter a operação segura e economicamente viável”, afirma Galletti.
A busca por eficiência tem impulsionado a adoção de tecnologias como automação predial, sensores de monitoramento em tempo real, sistemas de água gelada de alta performance, controle inteligente de fluxo de ar e plataformas que ajustam automaticamente o funcionamento dos equipamentos conforme a demanda operacional.
“Os projetos mais modernos utilizam automação, sensores em tempo real, sistemas de água gelada de alta eficiência, controle inteligente de fluxo de ar e monitoramento permanente das condições ambientais. O objetivo é garantir estabilidade térmica consumindo menos energia”, explica.
A corrida dos datacenters gera uma nova cadeia bilionária de negócios
O crescimento dos data centers também movimenta uma cadeia econômica muito maior do que a maioria das pessoas imagina. Além das empresas de tecnologia, o setor impulsiona investimentos em engenharia, construção civil, energia, automação, telecomunicações, manutenção especializada e infraestrutura predial.
Em 2025, o governo federal anunciou iniciativas para estimular a instalação de novos data centers no país, aproveitando fatores considerados competitivos, como a matriz energética predominantemente renovável, a disponibilidade territorial e a posição estratégica do Brasil para atendimento do mercado latino-americano.
Para Patrick, a expansão do setor representa uma oportunidade importante para empresas brasileiras especializadas em infraestrutura crítica.
“Durante muitos anos o Brasil acompanhou a evolução tecnológica como consumidor. Agora existe a possibilidade de participar da construção dessa infraestrutura. Data centers exigem conhecimento técnico altamente especializado e isso abre espaço para geração de empregos qualificados, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento de diversos setores da economia”, afirma.
Eficiência energética vira diferencial competitivo
A preocupação com sustentabilidade também passou a influenciar diretamente os investimentos no setor. Operadores e investidores buscam projetos capazes de equilibrar desempenho computacional, segurança operacional e eficiência energética.
Nesse processo, a climatização ganhou protagonismo. Soluções capazes de reduzir desperdícios e otimizar o consumo elétrico ajudam a diminuir custos operacionais e contribuem para metas ambientais cada vez mais exigidas por investidores e grandes empresas globais.
“Os investidores observam não apenas capacidade de processamento, mas também eficiência energética, pegada de carbono e confiabilidade operacional. A climatização participa diretamente dessas três variáveis. Quanto mais eficiente for o sistema térmico, menor será o custo operacional e maior será a competitividade do empreendimento”, diz Galletti.
Para o executivo, a expansão da inteligência artificial está criando um mercado que vai muito além dos algoritmos e das plataformas digitais.
“A sociedade costuma enxergar a inteligência artificial apenas como software. Mas existe uma infraestrutura física gigantesca sustentando essa transformação. E uma parte fundamental dessa estrutura está na climatização. A economia digital depende de ambientes capazes de operar sem interrupções, com segurança, eficiência e estabilidade térmica. Esse será um dos grandes desafios tecnológicos e econômicos da próxima década”, conclui.
Sobre Patrick Galletti
Patrick Galletti é Engenheiro Mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização, pós-graduando em Qualidade do Ar e especialista no “Impacto das mudanças climáticas na saúde das pessoas”, pela Universidade de Harvard. Possui experiência em engenharia de orçamento, gerenciamento de riscos de construções, obras e operações offshore em uma das maiores empresas do Brasil, além de onze anos de atuação no mercado de climatização. Atualmente, é CEO do Grupo RETEC, uma empresa pioneira e referência com mais de 44 anos de atuação no mercado de AVAC-R (aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração).
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Sobre o Grupo RETEC
O Grupo RETEC é referência, há mais de 44 anos, no setor de climatização e refrigeração no Distrito Federal e Goiás, oferecendo soluções integradas para instalação de ar-condicionado, ventilação, isolamento térmico e renovação de ar. Com uma equipe altamente qualificada e parcerias com fabricantes líderes, a empresa garante acesso às tecnologias mais avançadas e inovadoras do mercado. Oferecendo suporte técnico especializado e produtos com pronta-entrega, o Grupo RETEC está comprometido com a excelência, inovação e satisfação de seus clientes em projetos de diferentes portes.
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Fontes de pesquisa
Ministério das Comunicações – Data centers devem receber US$ 3 trilhões em investimentos
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – Programa Redata