Um ciberataque atingiu pelo menos 350 supermercados na França, onde invasores alteraram remotamente os controles dos sistemas de refrigeração, levando equipamentos a atingir até 50 °C e obrigando estabelecimentos a descartar alimentos. Embora o caso ainda esteja sob investigação e o método de acesso não tenha sido divulgado publicamente, o episódio evidencia, segundo a Kaspersky, como falhas de proteção em equipamentos conectados podem comprometer diretamente as operações de uma empresa.
Os sistemas modernos de refrigeração permitem monitoramento e controle a distância, conectando comandos digitais ao funcionamento de equipamentos físicos. Essa integração facilita a gestão, mas exige medidas de segurança para impedir que acessos indevidos permitam alterações em estruturas essenciais ao negócio.
A dimensão dessa exposição chama a atenção: de acordo com a análise da Kaspersky, mais de 4.500 dispositivos de controle de refrigeração estão acessíveis pela internet no Shodan, mecanismo de busca que identifica equipamentos conectados, enquanto o Censys, ferramenta semelhante, aponta aproximadamente 4.300. Os resultados podem incluir os mesmos dispositivos e não indicam, por si só, que estejam comprometidos, mas mostram como esses painéis podem ser encontrados tanto por administradores quanto por agentes mal-intencionados.
Quando a exposição vem acompanhada de configurações inseguras, aumenta o risco de acesso não autorizado, exploração de vulnerabilidades conhecidas e interferência nas operações. Segundo a Kaspersky, esse cenário pode ser agravado pela ausência de medidas básicas, como políticas de senhas e autenticação de dois fatores, além de deficiências nas práticas de desenvolvimento seguro de software.
“Quando equipamentos essenciais ao negócio estão conectados sem proteção adequada, um ataque digital pode ter consequências físicas, especialmente em operações como as dos supermercados, que dependem da refrigeração para conservar seus produtos. Por isso, proteger o acesso remoto e manter as atualizações em dia precisa fazer parte da segurança das operações”, afirma Fabio Marenghi, pesquisador líder de segurança da Kaspersky.
O risco vai além do acesso indevido aos controles: informações já divulgadas sobre falhas em painéis de refrigeração semelhantes mostram que invasores também podem executar comandos remotamente nesses sistemas. Não há confirmação de que esse tenha sido o método utilizado no ataque na França, mas a possibilidade reforça a importância de corrigir vulnerabilidades e garantir que as atualizações críticas cheguem aos equipamentos em uso.
Como proteger as operações
Para reduzir os riscos, a Kaspersky recomenda que fabricantes incorporem segurança desde o projeto e que as empresas avaliem a proteção dos equipamentos antes da compra e durante seu uso, com atenção às seguintes medidas:
- Evitar a exposição direta à internet: restringir o acesso aos painéis de controle e proteger as conexões remotas.
- Reforçar a autenticação: adotar políticas de senhas e autenticação de dois fatores.
- Manter as atualizações em dia: instalar correções de segurança e atualizações críticas em tempo hábil.
Esse cuidado também deve alcançar outros setores, já que, segundo a Kaspersky, sistemas de controle de energia solar e outros dispositivos industriais podem ser encontrados expostos na internet, ampliando os riscos para equipamentos que sustentam as operações das empresas.
Fonte: https://www.kaspersky.com.br/about/press-releases/