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Acidentes em silos de armazenagem expõem risco invisível

por Paulo Fernandes Maciel

Acidentes expõem risco invisível nos silos de armazenagem de grãos

Especialista aponta que gestão do ambiente interno dos silos de armazenagem pode reduzir riscos e preservar vidas

Mais de seis trabalhadores morrem por mês no Brasil em acidentes dentro de silos de armazenagem de grãos. O dado faz parte de levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho, do Ministério do Trabalho, conduzido por Rudy Allan Silva da Silva, da Superintendência Regional do Trabalho no Rio Grande do Sul (SRTE/RS)*.

Os casos envolvem soterramento, asfixia por gases e explosões — situações que ocorrem em uma das etapas mais críticas e, ao mesmo tempo, menos visíveis da cadeia produtiva. O problema, segundo especialistas, está na natureza desses ambientes.

silos de armazenagem

“O silo é um espaço confinado, com dinâmica própria. O grão pode se comportar como um fluido e o ar interno pode apresentar condições inadequadas sem que isso seja percebido imediatamente”, explica Otávio Matos, gerente técnico da Cycloar.

Um dos fatores mais críticos é a presença de pó em suspensão. Durante a movimentação da massa de grãos, partículas finas são liberadas no ambiente. Em determinadas concentrações, esse material pode formar uma atmosfera explosiva. Para que isso ocorra, basta a combinação de três elementos: oxigênio, material combustível (o pó) e uma fonte de ignição.

silos de armazenagem

Risco cotidiano

“Não é um cenário hipotético. São condições que podem estar presentes no dia a dia das unidades armazenadoras”, afirma Matos.

Além do risco de explosão, a presença de gases e a redução de oxigênio tornam o ambiente ainda mais perigoso para quem precisa acessar o interior das estruturas. Para o especialista, a forma como o setor encara a armazenagem precisa evoluir.

“Durante muito tempo, o foco esteve na qualidade do grão. Hoje, essa discussão precisa incluir também a segurança das operações. Um ambiente mais estável reduz a necessidade de intervenção humana e, consequentemente, o risco”, explica. Nesse contexto, tecnologias que atuam no controle do ambiente interno passam a ter papel relevante.

Sistemas de exaustão contínua do ar, como o Cycloar nos silos de armazenagem , contribuem para reduzir a concentração de partículas em suspensão, minimizar a formação de atmosferas potencialmente explosivas e dissipar gases. Além disso, soluções que permitem a entrada de luz natural nos silos e armazéns ampliam a visibilidade interna e reduzem riscos nas operações.

Mas a tecnologia, sozinha, não resolve o problema. “A segurança passa por um conjunto de fatores. Limpeza das unidades, manutenção dos equipamentos, treinamento das equipes e cumprimento de protocolos são fundamentais”, destaca Matos.

Essa visão está alinhada ao conceito de “risco zero”, amplamente utilizado em setores como aviação e indústria. A ideia central é que o erro não deve ser tratado como inevitável, mas como algo que pode ser reduzido por meio de processos, cultura organizacional e capacitação contínua. Na prática, isso significa abandonar a tolerância ao risco e adotar uma postura preventiva.

No caso da armazenagem de grãos, esse movimento ainda está em construção. “Ao reduzir a necessidade de entrada de pessoas nos silos e melhorar as condições do ambiente, conseguimos diminuir a exposição ao risco. É uma mudança de mentalidade que envolve toda a operação”, afirma o gerente técnico.

Para especialistas, o desafio agora é avançar na conscientização do setor.

No Paraná, o CREA-PR, em parceria com o Corpo de Bombeiros, tem promovido ciclos de palestras e treinamentos voltados à segurança em silos, reforçando a necessidade de qualificação técnica e prevenção em ambientes de armazenagem.

O agro brasileiro já demonstrou capacidade de incorporar tecnologia e aumentar produtividade em larga escala. O próximo passo é garantir que esse avanço seja acompanhado por práticas mais seguras na armazenagem.

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