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Inteligência Artificial auxilia gestores a terem mais Tempo para liderar

por Paulo Fernandes Maciel

nteligência artificial ajuda gestores a recuperar o que falta nas empresas: tempo para liderar

Recursos tecnológicos permitem que os gestores reduzam atividades repetitivas e concentrem energia em decisões estratégicas e interferem no tempo para liderar

Os gestores de equipes vivem um paradoxo cada vez mais comum no ambiente corporativo. Terminam o expediente exaustos, com a agenda lotada, dezenas de demandas atendidas e a sensação persistente de que pouco avançaram no que realmente importa. O problema, muitas vezes, não está na falta de competência, comprometimento ou dedicação. Está na ausência de métodos e sistemas capazes de proteger o tempo estratégico da liderança (tempo para liderar) diante de uma avalanche diária de interrupções, mensagens, reuniões e solicitações urgentes.

É o que aponta o professor Lacier Dias, empresário, especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital, doutorando pela Fundação Dom Cabral e fundador e CEO da B4Data. “O resultado disso tudo é o que conhecemos por trabalho reativo: líderes passam grande parte do dia apagando incêndios, respondendo mensagens e solucionando problemas operacionais que poderiam ser delegados, automatizados ou simplesmente tratados em outro momento”, afirma o especialista. O cenário é confirmado por pesquisas internacionais. Um estudo da Microsoft, que analisou trilhões de sinais de produtividade de usuários do Microsoft 365 em 31 países, revelou que os profissionais recebem, em média, 117 e-mails e 153 mensagens por dia.

Sobrecarga em reuniões

O levantamento também aponta que 40% dos trabalhadores verificam e-mails antes das 6 horas da manhã e que as reuniões realizadas após as 20 horas cresceram 16% em apenas um ano, evidenciando uma jornada de trabalho cada vez mais fragmentada e sem limites claros. Para os gestores, a situação tende a ser ainda mais crítica. Dados da Gallup mostram que os gerentes trabalham, em média, meio dia a mais por semana do que os demais colaboradores e são 67% mais propensos a relatar interrupções frequentes durante o expediente. Além disso, mais de quatro em cada dez gestores afirmam lidar constantemente com prioridades conflitantes, enquanto cerca de um terço relata níveis elevados de estresse e dificuldade para equilibrar trabalho e vida pessoal.

Segundo o Work Trend Index da Microsoft, 68% dos profissionais afirmam não ter tempo suficiente para realizar atividades que exijam concentração profunda, enquanto 62% dizem gastar tempo excessivo procurando informações. “Na prática, a liderança acaba consumida pela operação e distante daquilo que gera valor real para a organização: planejamento, inovação, desenvolvimento de pessoas e tomada de decisões. É nesse contexto que as ferramentas de inteligência artificial vêm ganhando relevância”, ressalta Lacier.

Mais que tendência

Mais do que uma tendência tecnológica, as ferramentas de IA se tornam aliadas na gestão do tempo. Recursos capazes de organizar informações, resumir reuniões, elaborar relatórios, responder dúvidas recorrentes, priorizar tarefas e automatizar processos administrativos permitem que os gestores reduzam atividades repetitivas e concentrem energia em decisões estratégicas. Estudos acadêmicos já demonstram ganhos concretos. Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Stanford e do MIT constatou que assistentes baseados em inteligência artificial elevaram a produtividade média dos trabalhadores em 15%, especialmente entre profissionais menos experientes, além de melhorar a qualidade das entregas.

A adoção dessas tecnologias, entretanto, exige planejamento. “A inteligência artificial não substitui a liderança humana nem resolve problemas estruturais de gestão. Quando utilizada sem critérios ou sem integração adequada aos processos da empresa, ela pode até gerar novas demandas de supervisão. O verdadeiro benefício surge quando a tecnologia é incorporada como ferramenta de apoio, liberando tempo para atividades que dependem exclusivamente da capacidade humana, como criatividade, empatia, negociação e construção de relacionamentos”, alerta o professor.

Dinâmica do ambiente corporativo

Diante de um ambiente empresarial cada vez mais acelerado, a discussão sobre produtividade precisa deixar de focar apenas em esforço e horas trabalhadas. “O desafio das organizações modernas não é fazer com que seus gestores trabalhem mais, mas permitir que trabalhem melhor. E, nesse cenário, a inteligência artificial desponta como uma das ferramentas mais promissoras para devolver aos líderes aquilo que se tornou um dos recursos mais escassos do mercado corporativo: tempo para pensar, planejar e liderar”, completa.

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