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Como a IA pensa? Especialistas defendem que escolas ensinem funcionamento da tecnologia

por Paulo Fernandes Maciel

Como a IA pensa? Especialistas defendem que escolas ensinem funcionamento da tecnologia, e não apenas seu uso

Com o avanço do ChatGPT entre estudantes, Start by Alura alerta para o risco de formar jovens que utilizam inteligência artificial sem compreender limites de como IA pensa, vieses e impactos da tecnologia

A presença da inteligência artificial na rotina escolar brasileira já é realidade. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e assistentes generativos passaram a fazer parte do cotidiano de estudantes do ensino básico, mas especialistas em educação alertam para um novo desafio: o uso crescente da IA sem compreensão sobre como a tecnologia realmente funciona.

Segundo Marcelo Paludetto, especialista em Inovação e Conteúdo da Start by Alura, solução pedagógica voltada à educação digital, ensinar apenas a utilizar ferramentas de IA não é mais suficiente diante da velocidade com que a tecnologia avança dentro e fora das escolas. “O estudante precisa entender que a IA não pensa, não possui consciência e não toma decisões como um ser humano. Ela opera a partir de padrões, dados e probabilidades. Quando esse entendimento acontece, a relação com a tecnologia muda completamente, porque o aluno passa a questionar respostas, identificar limitações e desenvolver pensamento crítico”, afirma.

IA pensa

A IA pensa ou não? é importante que as escolas esclareçam

O debate ganha força em um momento de expansão acelerada do uso de IA generativa entre jovens. Dados da PNAD 2024 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mostram que quase 90% da população brasileira a partir dos 10 anos já utiliza celular para acessar à internet, o equivalente a 167,5 milhões de pessoas conectadas. Na prática, isso significa que milhões de estudantes já têm contato frequente com ferramentas de inteligência artificial antes mesmo de qualquer orientação pedagógica estruturada sobre o tema.

Para especialistas, o desafio atual das escolas deixou de ser apenas discutir se a IA deve ou não entrar na sala de aula. A questão passa a ser como preparar estudantes para compreender os mecanismos, limites e impactos da tecnologia em um cenário em que algoritmos influenciam aprendizado, comunicação e tomada de decisão.

IA não pensa, ela calcula probabilidades

Segundo Paludetto, um dos principais equívocos na percepção dos estudantes é acreditar que ferramentas generativas “pensam” ou “sabem” aquilo que respondem. Na prática, modelos de linguagem funcionam a partir de redes neurais treinadas com grandes volumes de dados e geram respostas prevendo probabilidades estatísticas de palavras e informações.

“Quando um sistema como o ChatGPT responde a uma pergunta, ele não está refletindo sobre aquele tema. Está prevendo padrões com base no treinamento que recebeu, o que pode acarretar na reprodução de preconceitos antigos quando os dados foram gerados. Isso muda a forma como o estudante interpreta o conteúdo gerado e evita uma relação passiva com a ferramenta”, explica.

Na avaliação do especialista, compreender conceitos como algoritmos, treinamento de dados, vieses e limitações dos modelos se torna parte essencial da alfabetização digital contemporânea, especialmente em um cenário de aumento da desinformação e de conteúdos produzidos automaticamente.

Escolas passam a discutir IA como objeto de estudo

A discussão também acompanha avanços da BNCC de Computação que estabelece competências ligadas a pensamento computacional, mundo digital, cultura digital e resolução lógica de problemas desde os primeiros anos da educação básica. Segundo Paludetto, essas habilidades formam a base necessária para que estudantes consigam compreender, de maneira acessível, como os sistemas de inteligência artificial operam.

“O pensamento computacional não serve apenas para formar programadores. Ele ajuda o estudante a estruturar raciocínio, interpretar problemas e entender que toda IA funciona a partir de instruções, dados e modelos matemáticos. A partir do momento em que você entende como um computador pensa, você consegue ensiná-lo, inclusive gerando melhores prompts para IA”, diz.

Na prática, escolas começam a discutir abordagens em que a IA deixa de ser apenas ferramenta de apoio e passa também a ser objeto de análise dentro das disciplinas. Em aulas de Ciências e Matemática, por exemplo, estudantes podem simular processos simplificados de treinamento de modelos. Já em Língua Portuguesa, as atividades podem envolver análise crítica de textos gerados por IA, identificação de inconsistências, vieses e ausência de contexto, desenvolvendo argumentação e senso crítico.

Para o especialista, esse movimento representa uma mudança importante no papel da educação diante da tecnologia. “A escola que apenas ensina o estudante a usar IA está formando um operador. Aquela que mostra como a IA funciona está formando alguém capaz de interpretar criticamente a tecnologia e participar das decisões do mundo digital e físico de maneira mais consciente”, finaliza o especialista.

Sobre a Start by Alura


Fundada em 2017, a Start by Alura é uma solução pedagógica completa que apoia e dá suporte a escolas para desenvolverem o pensamento computacional e habilidades digitais de forma curricular para estudantes do Ensino Infantil ao Médio, em linha com as exigências da BNCC de Computação. Pioneira no universo de conteúdo em tecnologia para a educação básica, a iniciativa prepara os estudantes para as demandas de uma sociedade cada vez mais tecnológica, fortalecendo suas habilidades em lidar com o mundo digital e fortalecendo a criatividade e outras habilidades, abrindo portas para carreiras em tecnologia existentes e que ainda serão criadas. Parte do Grupo Alun, formado por Alura, FIAP, PM3 e StartSe, a Start by Alura integra o maior ecossistema de educação em negócios e tecnologia da América Latina.

Mais informações no site oficial da marca.

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