Cubo Itaú e Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo levam startups brasileiras de deep techs para maior feira industrial do mundo
Soluções Deep Techs que vão de armazenamento de energia renovável a fertilizantes inteligentes serão apresentadas na HANNOVER MESSE, na Alemanha
O Brasil pode desempenhar um papel estratégico na transição energética global e a inovação tecnológica está no centro desse movimento. Três startups brasileiras de deep tech foram selecionadas pelo Cubo Itaú e a Câmara de Brasil‑Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) para apresentar suas soluções na HANNOVER MESSE, maior feira de tecnologia industrial do mundo, que será realizada entre 20 e 24 de abril, na Alemanha.

As empresas foram escolhidas no âmbito do programa Deep Techs for Industry Decarbonization (D4iD), iniciativa conjunta do Cubo e da AHK São Paulo, que tem como objetivo mapear, acelerar e conectar startups de base científica e tecnológica capazes de contribuir para a descarbonização da indústria.
Ao todo, o programa mapeou 99 tecnologias em verticais como agronegócio regenerativo, infraestrutura de baixo carbono, mobilidade de baixa emissão e transição energética, em parceria com a Emerge Brasil, envolvendo startups, pesquisadores e especialistas do ecossistema de inovação.
Dentre as mapeadas, foram selecionadas 20 startups para as etapas de pré-impulsionamento e mentorias com empresas industriais, com seis delas evoluindo para parcerias com as organizações e outras três representando o Brasil na feira internacional.

“Deep techs têm potencial para transformar setores inteiros da economia, mas frequentemente enfrentam desafios para escalar e chegar ao mercado. O programa busca justamente aproximar ciência, indústria e capital para fomentar essas soluções e posicionar o Brasil como protagonista na transição para uma economia de baixo carbono”, destaca Paulo Costa, CEO do Cubo Itaú.
As startups brasileiras que vão à HANNOVER MESSE
As três startups selecionadas desenvolvem tecnologias voltadas a desafios críticos da transição energética e da economia circular.
Dirac
A startup desenvolveu uma tecnologia de bateria arenosa de ar comprimido, que permite armazenar energia renovável por meio do aquecimento de areia e da compressão de ar, utilizando excedentes energéticos. O sistema combina armazenamento térmico e mecânico de longa duração utilizando materiais abundantes e de baixo custo, ajudando a reduzir a intermitência das fontes renováveis e aumentando a segurança energética.
HVB Energy
A empresa desenvolveu um sistema integrado de produção de hidrogênio verde a partir de biomassa e efluentes. A tecnologia combina rotas biológica, termoquímica e eletroquímica para produzir hidrogênio a partir de resíduos, diminuindo o consumo intensivo de água e ampliando o aproveitamento de biomassa e efluentes industriais. A solução tem potencial para viabilizar hidrogênio verde competitivo para aplicações industriais.
Zeo Fertil
A startup criou uma tecnologia capaz de transformar resíduos industriais em fertilizantes inteligentes de liberação controlada. O material melhora a retenção de nutrientes e água no solo e contribui para a imobilização de metais pesados, promovendo maior eficiência agrícola, saúde do solo e economia circular.

Conectando ciência e indústria
O programa D4iD foi criado para acelerar soluções de deep tech que respondam a desafios estruturais da indústria na agenda de descarbonização, como armazenamento de energia, hidrogênio verde, novos materiais e tecnologias de bioeconomia.
Durante o processo de seleção e fomento, startups deep techs participaram de mentorias e interações com empresas industriais que apresentaram desafios reais em áreas como logística de baixa emissão e descarbonização da geração de energia e processos industriais.
A iniciativa também busca reduzir uma lacuna histórica no ecossistema de inovação: a distância entre pesquisa científica e aplicação industrial em larga escala. “A descarbonização da indústria exige soluções tecnológicas profundas, que muitas vezes nascem na ciência e na engenharia avançada. Conectar essas startups com grandes empresas e com o mercado global é fundamental para alavancar a transição energética”, destaca Paulo.
O programa contou com patrocínio de Auren Energia, Aliança, Festo, Fundo Vale, Itaú Unibanco e Simens. A expectativa é de que uma nova edição seja lançada nos próximos meses.
Brasil no radar da transição energética
Com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e grande disponibilidade de recursos naturais, o Brasil tem sido apontado como um dos países com maior potencial para liderar a nova economia de baixo carbono.
“Ao levar startups brasileiras para a HANNOVER MESSE, o programa busca ampliar a visibilidade internacional das tecnologias desenvolvidas no país e criar novas oportunidades de parceria com a indústria global”, completa Paulo Costa, CEO do Cubo Itaú.
Bruno Vath Zarpellon, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, reforça que o Brasil concentra o maior número de startups de base tecnológica na América Latina e tem potencial para crescer ainda mais com iniciativas como o D4iD. “O programa nasceu para inovar de forma colaborativa com as instituições envolvidas. O D4iD trabalha com esforços já existentes da comunidade empresarial e científica em torno de uma iniciativa de interesse comum, otimizando o investimento e amortizando o risco tecnológico para os envolvidos”.