Expansão de Data Centers para IA exige planejamento e eficiência hídrica, alerta especialista na Fenasan 2026
O tema eficiência hídrica ocupa a Fenasan 2026, que reúne o setor de saneamento ambiental no Expo Center Norte, em São Paulo, de 20 a 22 de outubro
A inteligência artificial levou o debate sobre infraestrutura digital a uma pergunta que o setor de saneamento conhece bem: de onde vem a água que sustenta a operação. O tema ocupa a Fenasan 2026, que reúne o setor de saneamento ambiental no Expo Center Norte, em São Paulo, de 20 a 22 de outubro, e terá nesta quinta-feira, último dia do evento, um painel dedicado à relação entre inteligência artificial, saneamento e consumo hídrico dos data centers. De acordo com estudo da Brasscom, com apoio da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) e revisão técnica da Fadurpe, divulgado em agosto de 2025, os data centers responderam por 1,7% da energia elétrica consumida no Brasil em 2024, percentual que deve chegar a 3,6% em 2029.
Lorena Zapata, diretora de Novos Negócios e Sustentabilidade da Engeper Ambiental e Perfurações, empresa que atua na gestão hídrica, da captação de água subterrânea ao tratamento, reuso e monitoramento, acompanha a ampliação da demanda por eficiência hídrica e participa, junto ao fundador Walter de Oliveira, do desenvolvimento de tecnologias como a Eletrodiálise Reversa (EDR). Para ela, “a expansão dos data centers precisa ser acompanhada por um planejamento hídrico que considere a disponibilidade de água em cada região, as necessidades de resfriamento e os impactos sobre os recursos locais. Mais do que discutir apenas o volume consumido, é necessário avaliar de onde vem essa água, como é utilizada e quais alternativas podem tornar a operação mais eficiente”.

Linha do tempo
O mesmo levantamento da Brasscom aponta que os data centers responderam por 0,003% do consumo de água do país em 2022, com projeção de 0,008% em 2029, e que as instalações modernas utilizam circuito fechado de resfriamento, o que ajuda a explicar por que o estudo defende analisar os dados sem generalizar os impactos de todas as unidades.
A própria associação projeta, porém, que a capacidade instalada de TI passe de 843 MW em 2024 para 2.192 MW em 2029, mais que o dobro. A pauta pode explorar justamente a distância entre o peso proporcional dos data centers no consumo nacional e o efeito que a concentração de empreendimentos pode ter sobre a disponibilidade hídrica de regiões específicas, um debate que também chegou ao Senado, onde o PL 3.018/2024, sobre a regulamentação dos data centers de inteligência artificial, passou por audiências públicas na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática.

Na avaliação de Lorena, a resposta passa por tratar a água como requisito de projeto, e não como ajuste posterior. Ela afirma que “o tratamento e o reuso de água, o monitoramento contínuo do consumo e a escolha de tecnologias adequadas podem contribuir para reduzir a dependência de fontes convencionais de abastecimento. A disponibilidade hídrica deve ser considerada desde o planejamento dos empreendimentos, assim como já ocorre com outros requisitos de infraestrutura. O avanço tecnológico e a segurança hídrica precisam caminhar juntos, com decisões baseadas em dados e nas características de cada localidade”.
Serviço
Fenasan 2026 – Feira Nacional do saneamento ambiental
Quando: de 20 a 22 de outubro
Onde: Expo Center Norte
Cidade: São Paulo
Sobre a Engeper Ambiental e Perfurações
A Engeper Ambiental e Perfurações atua na gestão hídrica, da captação de água subterrânea a soluções de tratamento, reuso e monitoramento, apoiando empresas na gestão mais estratégica de seus recursos. Fundada por Walter de Oliveira, a empresa desenvolve tecnologias voltadas ao tratamento de água, como a Eletrodiálise Reversa (EDR).