De falsas entrevistas de emprego a códigos adulterados em bibliotecas open source e extensões falsas no GitHub, cibercriminosos exploram a rotina de desenvolvedores para infectar seus dispositivos e alcançar códigos-fonte, servidores em nuvem e outros ambientes corporativos. No Dia do Programador, celebrado em 13 de setembro, a Kaspersky alerta que comprometer a máquina de um dev pode abrir caminho para ataques a toda a cadeia de suprimentos de software de uma empresa. Veja abaixo os três principais golpes e como se proteger.
Responsáveis por criar e manter as soluções digitais que fazem parte da rotina de pessoas e organizações, os desenvolvedores têm um papel central na inovação e no funcionamento das empresas. Justamente por concentrarem acessos estratégicos e utilizarem diversas ferramentas, códigos e plataformas no dia a dia, também se tornaram um alvo valioso para cibercriminosos. Por isso, a segurança não deve ser uma responsabilidade individual dos devs, mas as empresas contratantes também devem se importar com a criação de um ambiente de desenvolvimento mais protegido, com ferramentas confiáveis, políticas claras e soluções capazes de identificar comportamentos suspeitos.
A Kaspersky elencou os principais golpes e ameaças que têm desenvolvedores como alvo:
1. Vulnerabilidades na integração com o GitHub e falsas extensões de editores
Uma pesquisa recente da Kaspersky revelou mais de 250 mil potenciais problemas de segurança em fluxos de trabalho do GitHub Actions, o que pode abrir brechas na cadeia de produção de software de milhares de empresas. Além disso, cibercriminosos estão publicando projetos e ferramentas falsas no GitHub e criando extensões maliciosas para editores de código populares (como o VS Code). Em um dos casos investigados, um desenvolvedor perdeu cerca de 500 mil dó lares após instalar uma extensão falsa de edição de código que roubou suas senhas.
2. O perigo das bibliotecas de código aberto e o foco no Brasil (LiteLLM)
O uso de códigos de terceiros (open source) para agilizar o trabalho é rotina na programação. Porém, a Kaspersky revelou um aumento global de 37% na detecção de pacotes maliciosos infiltrados nessas bibliotecas abertas. Um caso recente e alarmante envolveu o LiteLLM, uma ferramenta muito popular para o desenvolvimento de agentes de Inteligência Artificial. Cibecriminosos inseriram um código malicioso na biblioteca para roubar dados e acessos de nuvem de quem a instalasse. O Brasil apareceu entre os países com o maior número de tentativas de infecção nesse ataque, mostrando que as empresas locais estão na mira direta dessa técnica.
3. A armadilha do falso recrutador (Mirage Kitten e BlueNoroff)
Os criminosos usam engenharia social diretamente no LinkedIn, se passando por recrutadores de grandes empresas de tecnologia. O alvo principal são engenheiros de software. Durante o processo seletivo falso, o “recrutador” convida o candidato para um teste prático e envia um link com um “desafio de programação”. Para pressionar a vítima, eles impõem um limite de tempo curto e proíbem o uso de assistentes de Inteligência Artificial. Na verdade, o arquivo do desafio contém um programa espião disfarçado que infecta a máquina do desenvolvedor. Golpes semelhantes também usam falsas entrevistas em vídeo, pedindo para o candidato instalar versões falsas do Zoom ou do Microsoft Teams.
“Os desenvolvedores desempenham um papel central na criação e na manutenção das soluções digitais que fazem parte da rotina de pessoas e empresas. Por isso, é fundamental que esses profissionais estejam conscientes dos riscos presentes em seu dia a dia, desde uma falsa oportunidade de emprego até o uso de bibliotecas e extensões comprometidas. Neste Dia do Programador, reforçamos que a segurança precisa acompanhar toda a jornada de desenvolvimento: os devs devem adotar boas práticas, mas as empresas também têm a responsabilidade de oferecer ambientes, ferramentas e políticas que ajudem a protegê-los”, Fabio Marenghi, pesquisador líder de segurança da Kaspersky.
Como os programadores e as empresas podem se proteger:
- Audite códigos e dependências: Nunca instale pacotes ou bibliotecas de código aberto sem antes verificar a autenticidade do autor e a reputação do projeto. Fique atento a erros de digitação nos nomes dos pacotes, uma tática comum usada para enganar desenvolvedores.
- Proteja o ambiente de desenvolvimento: Empresas devem garantir que as máquinas usadas pelos programadores contem com soluções de segurança robustas, capazes de monitorar a execução de códigos suspeitos e bloquear a comunicação com servidores criminosos.
- Atenção às extensões: Baixe plugins e extensões para seu editor de código (IDE) apenas de fontes verificadas e preste atenção às avaliações e ao número de downloads.
- Utilize soluções avançadas de detecção: Ferramentas corporativas, como o Kaspersky Next, fornecem visibilidade e bloqueio em tempo real, cobrindo todo o ciclo de análise e resposta a incidentes na infraestrutura de tecnologia da empresa.
Fonte: https://www.kaspersky.com.br/about/press-releases/