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Sábado no SP2B teve programação gratuita com cultura, ao conhecimento e à música

por Paulo Fernandes Maciel

Sábado no SP2B tem sábado de programação inteiramente gratuita no Ibirapuera e reforça acesso aberto à cultura, ao conhecimento e à música

Hugo Gloss, Luciana Gimenez, Maisa, Preto Zezé, Edi Rock, Dexter, Mari Krüger, Felipe Foquinha, Ed Gama, DJ Meme e Charles Gavin estiveram entre os destaques do dia, que trouxe debates sobre cidade, empreendedorismo, inteligência artificial, trabalho, saúde mental, cultura e influência

Ao longo da semana, o SP2B ofereceu gratuitamente 42 shows em cinco palcos, sessões de filmes no Planetário, painéis e atividades no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, além de ativações na Marquise; sábado teve ainda oito shows espalhados pelo parque e apresentação de Criolo com participação de Ajulliacosta, enquanto BaianaSystem encerra o evento no domingo

O Sábado no SP2B – 15 de agosto de 2026

A primeira edição do SP2B – São Paulo Beyond Business chegou neste sábado (15) no SP2B ao penúltimo dia de sua programação com todas as atividades abertas gratuitamente ao público. Ao longo do dia, diferentes equipamentos do Parque Ibirapuera receberam dezenas de painéis sobre empreendedorismo, tecnologia, cultura, comportamento, saúde, cidades e futuro do trabalho, além de uma programação musical que se estendeu até a noite.

Sábado no SP2B

A gratuidade, porém, não ficou restrita ao Sábado no SP2B e último fim de semana.

Durante toda a primeira edição, o SP2B ofereceu uma ampla programação aberta aos frequentadores do parque, com 42 shows distribuídos por cinco palcos, sessões e filmes do acervo do Planetário, painéis e atividades no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, além de ativações e experiências concentradas principalmente na Marquise. Neste sábado, a iniciativa ganhou a sua maior extensão, com acesso gratuito também a toda a programação de palestras, painéis e conteúdos, por meio da credencial Empower.

O Sábado no SP2B trouxe apresentação da Claro, oferecimento da Prefeitura de São Paulo e parceria estratégica do Governo do Estado de São Paulo.

São Paulo e suas diferentes realidades entram no centro da conversa

No palco Bespoke by Claro (Auditório Ibirapuera), Preto Zezé, cofundador da CUFA, e a cantora e compositora Bruna Black participaram de “As Várias Cidades de São Paulo”, com mediação da jornalista Fernanda Mena. O encontro discutiu as diferentes realidades que coexistem na capital e como inovação, cultura, empreendedorismo e políticas públicas podem aproximar territórios historicamente marcados pela desigualdade.

Para Zezé, a questão é estrutural. “São Paulo perde quando deixa de conectar a potência de criatividade de um lado à fartura e disponibilidade do outro”, afirmou. A reflexão chamou atenção para uma cidade em que o acesso a oportunidades, educação e recursos ainda se distribui de forma profundamente desigual entre seus territórios.

Bruna Black no Sábado no SP2B trouxe para a conversa a perspectiva de quem viveu essas barreiras. “Eu queria não ter saído de Diadema pra ter acesso à OSESP, a uma escola de música”, contou. A artista falou também sobre o impacto que a necessidade de garantir a própria sobrevivência teve em sua formação. “Eu precisava muito de tempo pra estudar e não tinha porque tinha que sobreviver, comer e pagar meu aluguel. Era de certa forma traumatizante, né?”, relatou. Para a cantora, ampliar o acesso é fundamental para que talentos e potenciais criativos não sejam limitados pelo lugar onde nasceram ou vivem. “São Paulo tem que ser acessível tanto para quem quer ficar na sua cidade como para quem quer circular”, defendeu.

O painel levado ao palco Sábado no SP2B abordou ainda o custo social dessa desigualdade. Zezé rejeitou a ideia de usar trajetórias individuais de sucesso como prova de que as oportunidades estão disponíveis para todos. “Pra chegar um Preto Zezé, muitos amigos morreram ou foram presos; a gente não pode ter mais essa régua”, afirmou.

A economia produzida nas periferias ganhou outra perspectiva em “A Revolução das Quebradas: O Novo Endereço do PIB”, no Cities Reimagined by Sabesp (Pacubra). Tiago Trindade, cofundador, sócio e CCO da Digital Favela, e Natalia S. Cunha, diretora técnica do Museu das Favelas, discutiram o crescimento do empreendedorismo doméstico, do trabalho informal digital e das microeconomias de bairro e periferias. Com mediação da atriz Micheli Machado, o painel abordou formalização, desigualdade de acesso, segurança econômica e o papel das cidades diante de novas formas de produção e geração de renda.

À tarde, Preto Zezé voltou à programação no Believe (Oca), desta vez ao lado de Edi Rock, cantor e compositor, e Dexter, rapper e empreendedor, em “A Cidade Entre Rimas e Vivências”. O painel abordou a periferia como espaço de produção cultural, econômica e de inovação social, colocando em pauta empreendedorismo, inclusão produtiva e o papel de novas lideranças na construção de oportunidades.

Sábado no SP2B teve palestras sore Inteligência artificial encontra tempo, trabalho e saúde mental

No Builder Stage by C6 (Pacubra), a jornalista e escritora Rosana Hermann, o presidente da Cisco Ricardo Mucci e Chico Araújo, Global Expert da Singularity University e cofundador da The Long Game, participaram de “A Matemática do Tempo: O que a IA Pode (e Não Pode) Devolver para Você”. Com mediação de Chico Araújo, a conversa questionou uma das promessas mais recorrentes em torno da automação: se a tecnologia realmente devolve tempo às pessoas ou apenas abre espaço para que novas tarefas ocupem imediatamente as horas liberadas.

A transformação do trabalho pela inteligência artificial apareceu também no Work in Progress (Pacubra), em “A IA Vai Roubar Seu Emprego — Ou Te Promover?”, com Paulo Humaitá, fundador e CEO da Bluefields, Mariana Dias, CEO e cofundadora da Gupy, e Beatriz Oliveira, head de Marketing da monday.com. A mediação foi de Paula Santiago, psicóloga organizacional e especialista em RH e IA. O painel discutiu como a automação altera funções, exigências profissionais e a própria noção de valor humano no mercado de trabalho também foi focado Sábado no SP2B

Mais tarde, dia 15 Sábado no SP2B no Decoding Life (Pacubra), Alexandre Coimbra Amaral, psicólogo e escritor, a bióloga, pesquisadora e comunicadora científica Mari Krüger e Bookster participaram de “A Economia da Atenção e a Fadiga Mental Coletiva”, com mediação do jornalista especializado em ciência e saúde Leon Ferrari. A conversa colocou em questão um ambiente digital construído para disputar atenção continuamente e discutiu até que ponto as ferramentas que prometem foco, equilíbrio e produtividade ajudam a combater o esgotamento ou apenas adaptam as pessoas a uma lógica que produz a própria exaustão.

Sábado no SP2B

Sucesso para além de dinheiro, status e reconhecimento

Também no Bespoke by Claro (Auditório Ibirapuera), o painel “O que É Sucesso?” reuniu Bruno Rocha, mais conhecido como Hugo Gloss, CEO do Portal que leva o seu pseudônimo, a apresentadora Luciana Gimenez e Victor Jorge, artista à frente do Crônicas de Jorge, com mediação da jornalista e comunicadora Joyce Pascowitch. A conversa questionou parâmetros historicamente associados à ideia de “chegar lá”, como dinheiro, poder, status e reconhecimento, e colocou em pauta outras medidas possíveis de realização, entre elas liberdade, impacto, bem-estar, relevância e legado.

Para Bruno Rocha, a resposta está em como você constrói suas conexões. “A autenticidade aproxima a pessoa. Quando a audiência se enxerga em você cria-se uma conexão e quanto maior o número de conexões que você cria, maior o sucesso.” Essa perspectiva reposiciona o que significa “chegar lá” — não como conquista individual de visibilidade, mas como capacidade de estabelecer relações genuínas que ressoam com as pessoas.

Victor Jorge complementou a reflexão com um alerta sobre as motivações que guiam carreiras em busca de fama. Para ele, sem um propósito que transcenda a visibilidade, a carreira perde a sua bússola moral. “Se você trabalha para ficar famoso ou para ganhar dinheiro, para você desviar do caminho e topar qualquer coisa é muito fácil”, afirmou. “Ser famoso dessa forma ampla e alegórica te coloca contra seu próprio código de ética.”

Luciana Gimenez trouxe a dimensão pessoal e invisível do sucesso público. “Você ter fama abre uma porteira para que as pessoas se achem no direito de falar o que quiserem de você. Você abre mão da sua liberdade como pessoa. É um preço.”

Sábado no SP2B – Bespoke by Claro Influência amadurece e se transforma em negócio

O Bespoke by Claro (Auditório Ibirapuera) recebeu ainda “Da Influência ao Negócio”, com Maisa, atriz, apresentadora e empresária da Mudah; Luana Benfica, creator da Moots; e Tatiana Ponce, CMO e vice-presidente de Pesquisa & Desenvolvimento da Natura e Avon. A mediação foi de Maiara Garbin, sócia e COO da Mudah. O painel discutiu o amadurecimento do mercado de influência e uma mudança fundamental na forma como marcas e creators constroem valor.

Maisa evidenciou que o afeto é a base dessa transformação: “A minha comunidade criou esse afeto junto comigo.” Essa perspectiva reposiciona o que significa ser influenciador como uma pessoa que constrói uma relação genuína e duradoura com o público. Em um ambiente no qual alcance e número de seguidores já não bastam para sustentar relações de longo prazo, credibilidade, reputação e consistência passaram a ocupar um lugar cada vez mais central na transformação da influência em negócio.

Tatiana Ponce, da Natura e Avon, reforçou essa lógica: “Para a Natura é muito importante a consistência de comportamento desse ser humano que hoje detém uma grande comunidade. É juntar a consistência com o genuíno.” Para a CMO da Natura, marcas que buscam parcerias com creators precisam compreender que não é uma transação: “Você precisa ser muito apaixonado pelo que faz para influenciar.”

O ponto de inflexão está em como marcas se comunicam com novas gerações. Maisa foi direta: “Um erro das marcas para se comunicar com a geração é não ter representantes da geração Z falando sobre esse assunto. Como você vai cativar o público sem ter uma pessoa que faz parte dali?” Tatiana complementou com a questão da autenticidade no discurso: “Não dá para as marcas chegarem com discurso pronto ou storytelling inacessível porque isso não vai encontrar eco.”

Sábado no SP2B

Música e inteligência artificial colocam autoria em debate

No The Human Code (Oca), os produtores musicais Felipe Vassão e DJ Meme participaram de “Música, Eu, Eu Mesmo e Robot? O que É Espelho para o Empreendedor”, com mediação de Charles Gavin, músico, produtor e diretor. A partir do processo de criação musical, os três discutiram um dilema que atravessa também os negócios: como incorporar inteligência artificial para ampliar possibilidades e otimizar processos sem permitir que a tecnologia leve à padronização.

A conversa Sábado no SP2B abordou ainda autoria, repertório, curadoria e o valor da experiência humana em um momento no qual ferramentas tecnológicas tornam a execução cada vez mais acessível. A provocação levada ao empreendedorismo foi justamente sobre aquilo que permanece singular quando recursos semelhantes passam a estar disponíveis para todos.

O mesmo palco recebeu uma edição ao vivo do podcast “É Noia Minha?”, em “Perrengues e Inseguranças Antes de Chegar ao Topo”, com a escritora e apresentadora Camila Fremder, a jornalista e apresentadora Foquinha e o apresentador e humorista Ed Gama. Em tom bem-humorado, os três falaram sobre erros, inseguranças e situações que fazem parte de trajetórias profissionais e empreendedoras antes de qualquer narrativa de sucesso.

Museu Afro aproxima empreendedorismo, ancestralidade e cultura

No Beginning (Museu Afro Brasil Emanoel Araujo), a programação atravessou discussões sobre empreendedorismo, ancestralidade, cultura, cidadania e criação de oportunidades.

Entre os participantes estiveram Sioduhi Waíkhʉn, fundador e diretor criativo do Sioduhi Studio; Hermes de Sousa, diretor executivo do Instituto Cacimba de Responsabilidade Social; e Andreza Maia, cofundadora da Futuros Possíveis, em “Empreender Apesar e Através das Estruturas”, conversa sobre autonomia econômica, representação e participação de populações negras, indígenas e periféricas nos espaços de decisão.

A relação entre inovação e os saberes construídos por gerações anteriores apareceu também em “Começar Nunca é do Zero: Empreender Sobre os Ombros de Quem Veio Antes”, com Guïbson Trindade Tôrres, gerente executivo da Associação Pacto de Promoção da Equidade Racial, e Tsara Repeka Kokama, professora, pesquisadora indígena e neurocientista da educação, com mediação de Heloisa Santana, presidente executiva da AMPRO.

Outra frente reuniu Edilson Ventureli, diretor executivo do Instituto Baccarelli, Aline Canciani, diretora de Fábricas de Cultura do Catavento Cultural e Educacional, e Alberto Marcondes, coordenador de projetos da APAA, com mediação de Carol Lafemina, superintendente das Fábricas de Cultura, em “Cultura, Cidadania e Novas Oportunidades”. O painel discutiu o papel da arte, da educação, da ciência e de projetos sociais na criação de novas perspectivas para crianças e jovens.

Também passaram pelo palco Viviane Duarte, CEO da Plano Feminino, Dilma Campos, copresidente da Mark Up, e Renata Dias, integrante do comitê curatorial do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, em “Empreender por Necessidade ou Oportunidade”, uma reflexão sobre as diferentes forças que levam à criação de um negócio e sobre a fronteira, muitas vezes tênue, entre necessidade e oportunidade.

O museu recebeu ainda mais duas edições de “Uma Hora no Museu: A Força das Comunidades”, experiência que tomou o próprio acervo como ponto de partida para discutir irmandades, quilombos, terreiros e outras formas históricas de organização coletiva construídas pelas populações negras.

Empreendedorismo aparece também na gestão, nas finanças e na relação com o cliente

A programação gratuita abriu espaço ainda para conteúdos diretamente voltados a quem empreende. No Innovation Stage (Pacubra), Paloma Lima, economista e planejadora financeira independente, participou de “Faturou, Gastou? O Que Você Precisa Saber Sobre Fluxo de Caixa”, com mediação de Nat Deuner, da equipe de curadoria do SP2B, abordando os erros de gestão que podem fazer empresas com boas vendas enfrentarem problemas de caixa.

No mesmo palco, Daniella Galvão, sócia da área tributária do CQSFV Advogados, e Charles Gularte, sócio-diretor de Contabilidade da Contabilizei, participaram de “O Imposto que Você Não Vê: Eficiência Tributária para Não-Especialistas”, com mediação do jornalista Eduardo Cucolo, da Folha de S.Paulo.

Já no Enterprise Stage by Itaú (Pacubra), a comunicadora Veronica Oliveira, criadora do Faxina Boa, conduziu “Por que Empreender? A Arte de Construir o Amanhã Ainda É o Melhor Negócio”, propondo uma reflexão sobre autonomia, coragem, propósito e a capacidade de criar soluções em um ambiente marcado por automação e incerteza.

Planetário mantém sessões abertas ao público Sábado no SP2B

No Planetário, a programação gratuita deste sábado incluiu “O Último Céu dos Dinossauros”, sessão que une astronomia e paleontologia; “O Show da Luna no Planetário”, voltado especialmente a crianças e famílias; “Planetas do Universo”; e “Olhar o Céu de São Paulo Outra Vez”.

As atividades integram uma programação especial aberta gratuitamente ao público durante todo o SP2B, realizada em parceria com a Urbia, responsável pela gestão do equipamento. Desde o início da semana, o Planetário recebeu sessões diárias de seu acervo e apresentações especiais, ampliando o acesso a um dos principais equipamentos científicos e culturais do parque.

Música ocupa o parque antes de Criolo e Ajulliacosta

A música também marcou o sábado com oito apresentações gratuitas na região da Marquise e da praça de alimentação, distribuídas pelos palcos Beats. A programação reuniu Angélica Kerr, em um tributo a Marília Mendonça, Hiago e De Luca, Salomão, Vanessa Moreno e Fi Maróstica, com o show Cores Vivas, Adriano Grineberg, Claudia Rezende, Fuá do Guegué e Jamah.

42 shows gratuitos

As apresentações completam uma programação que levou 42 shows gratuitos a cinco palcos ao longo da primeira edição, atravessando MPB, samba, jazz instrumental, rap, funk, trap, pop, rock, soul e sertanejo, com concepção musical de Zé Ricardo. A oferta aberta ao público incluiu ainda conteúdos no Planetário e no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, além de ativações e experiências nas áreas abertas do parque.

O grande show deste sábado no SP2B ficou por conta de Criolo, que recebeu Ajulliacosta no Beside (área externa do Auditório Ibirapuera). O cantor passeou por diferentes fases da carreira com músicas como “Não Existe Amor em SP”, “Subirusdoistiozin”, “Convoque Seu Buda”, “Esquiva da Esgrima”, “Duas de Cinco” e “Linha de Frente”. Ajulliacosta se juntou a ele em “Sucrilhos”, de autoria dele, e levou ao palco duas faixas de seu repertório, “Dharma” e “O Que a Julia Vai Ser?”.

Informações sobre o SP2B no Parque Ibirapuera:

https://sp2b.com.br

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