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Professores de escolas estaduais iniciam “ano letivo” com formação presencial

por admin

Capacitação focou em gestão de sala de aula, metodologias ativas e planejamento pedagógico estruturado após os festejos carnavalescos 

O ano letivo de 2026 no Paraná LAMENTAVELMENTE  só começou depois do carnaval com investimento direto na sala de aula. A APG.Gov, empresa integrante do Programa Parceiro da Escola do Governo do Paraná, reuniu 310 professores das 20 escolas sob sua gestão para uma formação presencial intensiva voltada à qualificação das práticas pedagógicas.

Os encontros foram realizados em quatro cidades-polo, reunindo docentes de diferentes regiões do estado em dois dias de imersão com foco em gestão de sala de aula, metodologias ativas e planejamento estruturado do ensino.

De acordo com o diretor-executivo da APG.Gov, Fred Melo, a iniciativa se destaca pela abordagem prática, contextualizada e presencial. “Isso porque grande parte das capacitações de professores em todo o país ainda ocorre de forma remota, padronizada e pouco conectada à realidade escolar”, afirma. Além disso, mais da metade dos professores brasileiros não participa de cursos de capacitação —  dados do MEC mostram que, em todo o Brasil, apenas 41,7% dos professores da educação básica participaram de formação continuada em 2023.

Formação conectada à realidade da escola pública mas só depois do carnaval  

O conteúdo trabalhado foi estruturado a partir de evidências científicas e referências reconhecidas internacionalmente, como as técnicas de gestão de sala de aula sistematizadas por Doug Lemov e estudos de Cohen e Lotan sobre trabalho em grupo estruturado.

Entre os principais temas abordados estiveram: gestão de sala de aula como conjunto articulado de decisões pedagógicas; técnicas práticas de acompanhamento da aprendizagem, como monitoramento da taxa de acerto e intervenções estratégicas; estruturação do trabalho em grupo com definição de papéis e responsabilidade cognitiva; metodologias ativas como sala de aula invertida, rotação por estações, aprendizagem baseada em projetos e revisão entre pares; e planejamento com foco em objetivos mensuráveis e aprendizagem verificável.

A formação reforçou um princípio central: metodologias não são um fim em si mesmas, mas estratégias a serviço da aprendizagem e da intencionalidade pedagógica.

Do discurso à prática

Ao longo dos encontros, os professores participaram de estudos de caso, simulações de aula, dinâmicas estruturadas, construção coletiva de planejamento e exercícios metacognitivos. Os docentes foram convidados a refletir sobre decisões pedagógicas concretas: clareza de objetivos, gestão do tempo, definição de critérios de sucesso, acompanhamento individualizado e verificação imediata da aprendizagem.

Um dos eixos centrais foi a ideia de que ensinar bem é ensinar de modo que o conhecimento se consolide na memória de longo prazo, reduzindo a curva do esquecimento e promovendo a autonomia intelectual dos estudantes.

Impacto direto na aprendizagem

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) e relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que a formação e a capacitação contínua dos professores são fatores determinantes para a melhoria dos resultados educacionais e para a redução das desigualdades de aprendizagem.

“Formações contextualizadas e contínuas podem gerar ganhos de até 0,5 a 1 ponto em proficiência média em avaliações padronizadas. No entanto, grande parte das capacitações oferecidas no país ainda se concentra na certificação e não no desenvolvimento profissional efetivo”, ressalta Melo. “Ao investirmos em formação presencial, prática e acompanhada, apostamos na valorização do professor como protagonista da transformação educacional”, completa.

De acordo com a professora de Língua Portuguesa Amanda Gonzales da Silva, do Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos, de Matinhos, a imersão trouxe técnicas e metodologias que poucos professores conheciam ou apenas superficialmente. Ao assumir o papel de estudante, ela afirmou que conseguiu aplicar as teorias aprendidas no curso, o que, segundo ela, foi bastante produtivo. “Há muito tempo não tínhamos uma formação tão bem feita e que tivéssemos tirado tanto proveito. Saímos com estratégias concretas para aplicar já na próxima semana”, relata.

Para Fred Melo, investir em desenvolvimento pedagógico estruturado também representa um gesto institucional de reconhecimento. “Mais do que cumprir a carga horária de capacitação, a proposta foi fortalecer a autonomia docente, a clareza metodológica e a consistência pedagógica.”

Compromisso com a qualidade pós carnaval

A formação marca o início de um ciclo anual de acompanhamento pedagógico nas 20 escolas sob gestão da APG.Gov, com foco em melhoria contínua da prática docente e dos indicadores de aprendizagem. “Ao iniciar o ano letivo colocando o professor no centro da estratégia, reforçamos uma convicção respaldada por evidências: a transformação da escola pública começa pela sala de aula — e a sala de aula começa pelo professor”, conclui o diretor.

Programa Parceiro da Escola pós carnaval

O Programa Parceiro da Escola é uma iniciativa do Governo do Estado do Paraná que institui um modelo de co-gestão entre o poder público e instituições especializadas em gestão educacional. Criado por legislação estadual em 2024 e implementado a partir de 2025, mantém sob responsabilidade do Estado a gestão pedagógica, curricular e o corpo docente efetivo, enquanto as instituições parceiras assumem a gestão administrativa, de infraestrutura e de serviços de apoio.

O objetivo é liberar diretores e equipes pedagógicas para concentrar esforços na melhoria da aprendizagem e no acompanhamento dos estudantes, fortalecendo a qualidade do ensino público. A adesão ocorre mediante consulta à comunidade escolar, e os contratos preveem metas de desempenho, indicadores e monitoramento contínuo. Inspirado em experiências internacionais de parceria público-privada na educação, o programa preserva o caráter público e gratuito das escolas estaduais e busca aprimorar a eficiência administrativa sem interferir na autonomia pedagógica da rede.

Em termos de alcance, o programa iniciou 2025 com 82 escolas participantes, distribuídas em 34 municípios, e impactou 53.979 estudantes. Em 2026, foi ampliado para 95 escolas em 40 municípios, totalizando 61.151 alunos.

As instituições são selecionadas por meio de processo público. Atualmente, participam a APG.Gov, a Tom Educação e o Grupo Salta Educação, organizações com experiência na gestão de processos educacionais, na formação de equipes e na estruturação administrativa.

Cada empresa atua na gestão administrativa, de infraestrutura e de serviços de apoio — como manutenção, segurança, limpeza e organização operacional — permitindo que diretores e equipes pedagógicas se dediquem à dimensão pedagógica e à aprendizagem.

O modelo preserva integralmente o caráter público das escolas de só dar aulas pós carnaval: currículo, avaliação, contratação de professores efetivos e decisões pedagógicas permanecem sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR).

Dados de percepção indicam 86% de aprovação geral dos pais, 84% recomendariam o programa e 92% afirmam que seus filhos são bem cuidados. Nos indicadores educacionais e operacionais, destacam-se mais de 99% das escolas sem aulas canceladas, aumento de 67% nas observações pedagógicas, 45% mais gestores engajados no desenvolvimento profissional, 90% de coordenadores pedagógicos ativamente envolvidos e 81% de diretores plenamente satisfeitos.

Fonte: https://www.centralpress.com.br/

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