O Estudo da DataSchool revela um descompasso na adoção de IA no Brasil
“Panorama do Letramento em Dados e IA no Brasil 2026” mostra que 84% das empresas liberaram uso no escritório, mas apenas 32% capacitaram suas equipes
À medida que os investimentos corporativos em inteligência artificial generativa se aceleram no país, as organizações enfrentam um gargalo que não é tecnológico, mas humano. Lançado nesta quinta-feira (17) durante o Data Literacy Talks Summit 2026, no Sky Hall, em São Paulo, o estudo “Panorama do Letramento em Dados e IA no Brasil 2026” mostra que a liberação de ferramentas de IA tem corrido muito à frente do preparo das pessoas para utilizá-las.

O levantamento, coordenado pela DataSchool, foi elaborado a partir de enquetes aplicadas a uma comunidade de 500 profissionais do setor e na análise de conteúdo das transcrições de mais de 50 palestras e mesas redondas realizadas no circuito Data Literacy Talks.
De acordo com o estudo, nas áreas administrativas e de escritório, o uso de IA generativa já está liberado em 84% das empresas ouvidas. No entanto, apenas 32% acompanharam essa liberação com programas de capacitação ampla dos funcionários. Em dois terços das companhias (66%), a IA circula sem que os colaboradores tenham sido preparados de forma abrangente para utilizar e avaliar criticamente os dados e resultados gerados pelas ferramentas.
“Existe um volume enorme de investimentos sendo direcionado para plataformas de dados, nuvem e licenças de Inteligência Artificial, mas tecnologia disponível não se traduz automaticamente em valor gerado. Se as pessoas não souberem interpretar, questionar e agir sobre a informação, o investimento permanece apenas como custo no orçamento”, afirma Henrique Portella, fundador da DataSchool e coordenador do estudo. “Na era da IA generativa,
aceitar cegamente o que o algoritmo sugere é o novo analfabetismo.”
Segundo o levantamento, mais de 50% das empresas pesquisadas indicam que a área de Data & Analytics assumiu a frente do movimento de requalificação dos colaboradores. O modelo considerado ideal pelos especialistas, com atuação conjunta das áreas de Dados e Recursos Humanos, só é realidade em 9% das empresas. Em 20%, a requalificação ocorre de forma difusa, por iniciativas isoladas.

O estudo aponta ainda uma disparidade severa na distribuição do conhecimento dentro das empresas. Enquanto a capacitação em conceitos de dados e IA já alcançou a diretoria e o C-level em cerca de um terço das empresas engajadas (32%), nenhuma das organizações ouvidas registrou ter alcançado a linha de frente operacional de forma estruturada
Na operação, na linha de produção e no atendimento, o percentual de empresas com capacitação ampla recua para 26%, e a resposta mais frequente passa a ser, conforme o estudo, o uso restrito a projetos piloto (29%).
“O programa que realmente muda a cultura da empresa não é o que tenta transformar todo mundo em cientista de dados, mas o que entrega fluência técnica e crítica para o comprador, o supervisor, o vendedor e o analista, que precisam tomar decisões específicas de forma rápida e assertiva”, destaca Portella. “A base de dados e a Inteligência Artificial não são duas prateleiras separadas; formam uma jornada única de letramento, na qual a urgência da IA
abre as portas e a base de dados sustenta o resultado”, completa.
Sobre a DataSchool
Fundada em 2020, a DataSchool é uma empresa brasileira de educação e capacitação corporativa especializada no desenvolvimento da Cultura e do Letramento em Dados e Inteligência Artificial. A empresa já impactou mais de 10 mil profissionais e atendeu mais de 100 grandes organizações, incluindo empresas como Porto e Banco Carrefour. Por meio de diagnósticos avaliativos, programas corporativos, workshops e eventos, a DataSchool apoia organizações para transformar investimentos em tecnologia em decisões estratégicas e valor sustentável para o negócio