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Especialista da Taigéta alerta quanto ao choque da IA com modelos antigos de liderança

por Paulo Fernandes Maciel

Empresas adotam IA, mas preservam modelos antigos de liderança, alerta especialista da Taigéta

Para CEO da Taigéta, transformação perde força quando tecnologia é usada para cobrar produtividade das equipes sem rever centralização, tomada de decisão e papel dos gestores

A inteligência artificial já modifica tarefas, competências profissionais e estruturas de trabalho, mas uma parte importante das empresas ainda preserva modelos de liderança criados para uma realidade anterior à tecnologia. Para Louis Burlamaqui, CEO e cofundador da Taigéta, essa contradição pode impedir que os investimentos em IA produzam mudanças efetivas nos negócios.

Levantamento global da IBM divulgado em 2026 mostra que apenas 25% dos trabalhadores utilizam inteligência artificial regularmente em suas atividades, embora 86% dos CEOs considerem que suas equipes estão preparadas para a tecnologia. Já uma pesquisa do Boston Consulting Group aponta que 74% dos profissionais da linha de frente usam IA diariamente ou algumas vezes por semana, mas muitas organizações ainda não descobriram como transformar o tempo economizado em valor para o negócio.

Segundo Burlamaqui, os números revelam mais do que uma dificuldade de adoção tecnológica. Eles indicam uma diferença entre a percepção da alta liderança e aquilo que efetivamente acontece dentro das empresas.

“A inteligência artificial está sendo usada para aumentar a produtividade, revisar funções e cobrar novas competências dos profissionais. O problema é que poucas organizações estão fazendo a mesma pergunta sobre seus líderes: o que precisa mudar na forma como eles decidem, distribuem poder e conduzem as equipes?”, afirma.

Concentração de inormações

Na avaliação do especialista, muitas empresas incorporaram ferramentas de IA aos processos, mas mantiveram estruturas marcadas por excesso de aprovações, concentração de informações e decisões dependentes de poucas pessoas.

Nesse cenário, a tecnologia acelera a execução, mas não necessariamente melhora a organização. Um processo que já era burocrático pode se tornar apenas uma burocracia mais rápida. Da mesma forma, uma cultura baseada em controle pode utilizar a IA para ampliar cobranças e monitoramento, sem aumentar a autonomia dos profissionais.

“A empresa pode automatizar relatórios, análises e tarefas, mas continuar exigindo que todas as decisões subam pela mesma cadeia hierárquica. Nesse caso, a inteligência artificial não transforma o modelo de gestão. Ela apenas aumenta a velocidade de um sistema que continua centralizado”, explica Burlamaqui.

Para o CEO da Taigéta, um dos principais desafios está no fato de que muitas lideranças construíram sua autoridade sobre o domínio de informações, a experiência acumulada e a capacidade de apresentar respostas. Com a IA, o acesso ao conhecimento se torna mais distribuído, o que exige uma mudança no papel do gestor.

“O líder deixa de ser necessariamente a pessoa que possui todas as respostas. Sua função passa a ser criar critérios, fazer perguntas melhores, avaliar riscos e garantir que a equipe tenha condições de tomar boas decisões. Essa transição mexe com poder e identidade profissional, não apenas com competências técnicas”, diz.

Outro risco é utilizar a tecnologia sem considerar a cultura existente na organização. Em empresas que penalizam erros e discordâncias, profissionais podem evitar experimentar novas ferramentas ou esconder dificuldades. Em ambientes de baixa confiança, o uso da IA pode ser interpretado como ameaça, vigilância ou preparação para cortes.

Por outro lado, organizações que estimulam aprendizado, transparência e autonomia tendem a incorporar a tecnologia como instrumento de apoio às equipes, e não apenas como mecanismo de redução de custos.

“A mesma ferramenta pode produzir resultados completamente diferentes. Em uma cultura madura, a IA ajuda a distribuir capacidade e melhorar decisões. Em uma cultura centralizadora, pode aumentar vigilância, medo e dependência da liderança. A tecnologia não corrige automaticamente a cultura; muitas vezes, ela amplia aquilo que já existe”, afirma.

Transformação precisa chegar à liderança

Para Burlamaqui, as empresas devem avaliar a adoção de inteligência artificial para além do número de ferramentas contratadas ou das horas economizadas. É necessário observar se a tecnologia está mudando a forma como o trabalho é organizado e como as decisões são tomadas.

Entre os pontos que precisam ser revistos estão a quantidade de níveis de aprovação, o grau de autonomia das equipes, os critérios usados para avaliar resultados e a responsabilidade dos líderes sobre decisões apoiadas por sistemas de IA.

“A liderança que usa inteligência artificial para questionar o trabalho dos outros, mas não permite que a tecnologia provoque uma revisão sobre suas próprias práticas, não está conduzindo uma transformação. Está apenas automatizando a hierarquia”, conclui Burlamaqui.

Sobre a Taigéta

A Taigéta é uma plataforma inovadora que une tecnologia e consultoria especializada para transformar cultura em resultados mensuráveis. Baseada na metodologia exclusiva CFR®, a empresa atua na transformação de cultura organizacional, posicionando o potencial das pessoas como vantagem competitiva estratégica para seus clientes.

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