A pele de tilápia avança em curativos como cobertura biológica temporária mas as membranas de celulose estão chegando para resolução com melhoria na estética
Enquanto a pele de tilápia avança como cobertura biológica temporária, membranas de celulose já são utilizadas no Brasil nos curativos em diferentes tipos de lesões
Quando uma ferida exige tratamento prolongado, os curativos passam a fazer parte da rotina do paciente e características aparentemente secundárias podem ganhar outra dimensão. O odor é uma delas. A presença ou ausência de cheiro, assim como o controle de secreções, a proteção da lesão e o manejo das trocas, integra uma discussão cada vez mais ampla sobre a experiência de quem passa por um processo de cicatrização prolongado.
Esse debate ganha força à medida que novas tecnologias em curativos chegam ao tratamento de feridas. A previsão de que o Brasil terá, a partir de 2028, a primeira fábrica do mundo dedicada à produção de curativos desenvolvidos a partir da pele de tilápia é um exemplo desse movimento, que amplia a busca por materiais com diferentes propriedades e aplicações.
Curativos ao longo do tratamento
Mais do que a capacidade de atuar diretamente sobre a lesão, características como proteção, controle de secreções, conforto e facilidade de manejo também podem interferir na rotina de quem precisa utilizar curativos por períodos prolongados. A escolha do material, portanto, envolve diferentes aspectos do tratamento e deve considerar as características de cada ferida e a avaliação profissional.
Embora possam ser utilizadas como coberturas temporárias, as tecnologias têm características diferentes. A pele de tilápia é um tecido de origem animal que atua como cobertura biológica temporária e adere à superfície da lesão.

Membracel
Já a Membracel – Membrana Regeneradora Porosa, desenvolvida pela empresa paranaense Vuelo Pharma, é produzida a partir de celulose cristalina sintetizada pela bactéria Acetobacter. Sua estrutura porosa e uniforme permite que o exsudato seja drenado para uma cobertura absorvente externa, enquanto a membrana permanece sobre a lesão, funcionando também como uma barreira física de proteção.
“Quando falamos em inovação para o tratamento de feridas, é importante olhar para o conjunto da experiência. A cicatrização é o objetivo central, mas a proteção, o manejo, conforto e as condições enfrentadas pelo paciente durante o tratamento também fazem parte desse processo”, afirma Thiago Moreschi, CEO da Vuelo Pharma.
A membrana é utilizada como cobertura temporária da lesão e, segundo a empresa, sua estrutura permite a drenagem das secreções enquanto mantém a área protegida. A tecnologia é aplicada em diferentes tipos de feridas e situações clínicas, de acordo com avaliação e indicação profissional.
No Brasil, ela é comercializada desde 2010. Até 30 de junho de 2026, foram vendidas 1.632.757 unidades. A tecnologia também é comercializada em mais de 15 países da América Latina e do Caribe, incluindo Colômbia, Chile, Costa Rica e México.
Indicação
As indicações também variam de acordo com as características de cada tecnologia. No caso da pele de tilápia, as evidências clínicas brasileiras disponíveis se concentram principalmente no tratamento de queimaduras de segundo grau, especialmente as superficiais. Já a Membracel, além de queimaduras de segundo grau, pode ser utilizada em escoriações, dermoabrasões, áreas doadoras e receptoras de enxerto, úlceras venosas, arteriais e por pressão, entre outras lesões que apresentem perda do epitélio.
O surgimento de materiais de diferentes origens mostram que a inovação no tratamento de feridas não segue uma única direção. Cada tecnologia apresenta propriedades específicas, o que amplia as possibilidades de cobertura e reforça a importância da avaliação clínica na definição do tratamento mais adequado para cada caso.