Home Dicas Split payment: O impacto da Reforma Tributária no caixa das empresas

Split payment: O impacto da Reforma Tributária no caixa das empresas

por Paulo Fernandes Maciel

Com a modalidade Split payment o impacto da Reforma Tributária pode chegar diretamente ao caixa das empresas

A Reforma Tributária costuma aparecer nas empresas como um assunto do departamento fiscal, do contador ou da área jurídica. Mas uma das mudanças previstas o pagamento dividido, (do inglês Split payment) pode fazer com que seus efeitos sejam sentidos todos os dias no caixa.

É o caso do split payment, mecanismo criado pela Reforma Tributária para permitir o recolhimento do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) no momento da liquidação financeira da operação. Pela regra, prestadores de serviços de pagamento e instituições operadoras de sistemas de pagamento deverão segregar e recolher os valores correspondentes aos novos tributos.

A mudança é relevante porque altera a lógica de circulação do dinheiro dentro da empresa, onde em vez do negócio receber integralmente o valor de uma venda e posteriormente administrar o pagamento dos tributos, parte do valor poderá ser direcionada automaticamente para o recolhimento tributário.

Para o empresário, a pergunta deixa de ser “Quanto vou pagar de imposto?”, para outra, igualmente importante “Quanto do dinheiro da minha venda estará efetivamente disponível para movimentar o negócio?”.

split payment
Imagem Soften Sistemas

É preciso entender a diferença entre faturamento e dinheiro disponível

Essa diferença sempre existiu na contabilidade e na gestão financeira, mas o split payment pode tornar essa separação ainda mais concreta e imediata na operação.

O impacto do split payment vai aparecer no capital de giro, que mantém a empresa funcionando, a velha entrada e saída. Já a folha de pagamento, fornecedores, aluguel, logística, estoque, empréstimos e outras despesas continuam precisando ser pagos independentemente de como a tributação é operacionalizada.

Por isso, planejamento financeiro continua sendo essencial para o negócio e qualquer alteração no momento em que o dinheiro efetivamente fica disponível para a empresa é sempre um alerta e um dos principais pontos de atenção do split payment.

Casos como margens apertadas, vendas parceladas ou ciclos longos de recebimento, pequenas alterações no fluxo financeiro podem produzir efeitos relevantes sobre a necessidade de capital de giro.

Ocorrerá o impacto no caixa dentro do mês (o dinheiro manobrável no período)

A própria legislação prevê que em pagamentos parcelados pelo fornecedor, o recolhimento dos tributos ocorra proporcionalmente à liquidação das parcelas. Também estabelece que a antecipação de recebíveis não altera essa obrigação. Isso significa que antecipar recebíveis não deve ser encarado automaticamente como uma forma de antecipar também a disponibilidade integral dos valores tributários envolvidos na operação. Para o financeiro, essa é uma informação estratégica.

A principal recomendação para as empresas não é esperar a implementação completa do novo sistema para então descobrir seus efeitos, o empresário precisa começar a simular cenários de caixa.

split payment
Imagem Soften Sistemas

O custo financeiro do split payent (modalidade de pagamento fracionado)

Não se trata mais de saber qual será a carga tributária, mas, sim, qual será o custo financeiro de operar nesse novo modelo. A tecnologia passa a ter papel ainda mais importante, porque o desenho do split payment também reforça a necessidade de integração entre áreas e sistemas.

A legislação prevê procedimentos relacionados à vinculação das operações e das transações de pagamento, enquanto a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já autorizaram a publicação do Manual de Integração e do Swagger da solução para a Plataforma Pública do Split Payment, permitindo que prestadores e instituições de pagamento iniciem o desenvolvimento de suas soluções.

O que já ocorre

Além disso, desde janeiro de 2026, os contribuintes passaram a ter obrigações relacionadas ao destaque individualizado de CBS e IBS nos documentos fiscais eletrônicos, conforme as regras e leiautes aplicáveis.

Na prática, isso aproxima ainda mais três áreas que historicamente podem trabalhar de maneira separada, que são o fiscal, financeiro e tecnologia.

Um erro na emissão fiscal pode deixar de ser um problema de conformidade, considerando que uma informação incorreta pode afetar o processamento financeiro, o crédito tributário e a conciliação da operação. Para o gestor, isso significa que sistemas de gestão empresarial precisam acompanhar a transformação.

split payment

O que as empresas podem fazer agora com a implementação do split payment?

A transição vai exigir planejamento e planejamento começa antes da mudança aparecer no extrato bancário. O split payment representa uma mudança importante na forma como os tributos sobre o consumo podem ser recolhidos. A legislação determina que a segregação aconteça na liquidação financeira da operação e atribui aos prestadores de serviços de pagamento e operadores de sistemas de pagamento a responsabilidade operacional por esse processo.

Por isso, olhar para o split payment só como uma inovação tributária, é limitar a dimensão da mudança, já que para o empresário, o tema envolve fluxo de caixa, capital de giro, preço, margem, crédito, tecnologia e planejamento financeiro.

A empresa que começar a analisar esses impactos agora terá mais condições de identificar gargalos, testar alternativas e ajustar sua operação antes que a mudança esteja plenamente incorporada à rotina.

Conclusão

Porque a pergunta mais importante não é quanto a Reforma Tributária vai mudar a forma de calcular impostos, mas quanto ela vai mudar a forma de administrar o dinheiro da empresa. E essa é uma discussão que não pode ficar apenas na mesa do contador.

Sobre Guilherme Volpi

É CEO e fundador da Soften Sistemas, com mais de 20 anos de experiência em gestão, tecnologia e estratégia de negócios. Especialista em planejamento estratégico e inovação aplicada à gestão empresarial, atua na liderança de projetos voltados à eficiência operacional, transformação digital e crescimento sustentável, acompanhando de perto as mudanças do mercado e os desafios da modernização das empresas brasileiras.

Sobre a Soften Sistemas

Fundada em José Bonifácio (SP), em 2002, a Soften é uma referência em soluções de gestão estratégica (ERP) para pequenas e médias empresas em todo o Brasil. Composta por um time de 139 colaboradores, a companhia une a agilidade de uma cultura jovem à solidez de quem entende os desafios reais do mercado B2B, atuando em verticais como varejo, indústria, logística e serviços.

O diferencial da Soften está na convergência entre a tecnologia de ponta — com investimentos robustos em Inteligência Artificial para eficiência e análise de dados — e o atendimento humanizado. Diferente do padrão de mercado, a empresa prioriza o suporte e treinamentos conduzidos por pessoas, garantindo que a inovação seja uma ferramenta de aproximação e não de distanciamento.

Artigo Por Guilherme Volpi, CEO da Soften Sistemas.

Imagem destacada créditos: reformatributaria.com

Você também pode gostar

Deixe um Comentário

Ao navegar neste site, você aceita os cookies que usamos para melhorar sua experiência. Aceito Mais informações