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Remasters e remakes na indústria dos games

por Paulo Fernandes Maciel

Remakes e remasters ganham espaço na indústria de games em meio à alta dos custos de produção

Demanda de mercado, redução de riscos e nostalgia impulsionam as modalidades de Remakes e remasters para a atualização de títulos clássicos inesquecíveis.

A indústria de jogos vive um momento de retorno aos clássicos, com um calendário de lançamentos marcado por nomes e franquias já conhecidos por grande parte dos jogadores. Títulos como “Star Fox” e “The Legend of Zelda: Ocarina of Time”, da Nintendo, e “Assassin’s Creed Black Flag Resynced”, da Ubisoft, reforçam uma realidade onde o futuro do mercado parece estar diretamente ligado ao seu passado.

Mais do que uma possível crise de criatividade, o avanço de remakes e remasters pode ser explicado por fatores econômicos e pelo próprio comportamento dos consumidores. Apesar de não ser exclusiva de um único estúdio, a tendência ganha força, sobretudo, no universo de jogos triple A, os grandes lançamentos da indústria, que envolvem investimentos cada vez mais elevados em desenvolvimento, marketing e distribuição.,

Remasters
Nintendo

Estimativa

De acordo com o jornalista Jason Schreier, a estimativa é que títulos dessa categoria podem ultrapassar US$ 300 milhões em indústrias desenvolvidas como Estados Unidos e Canadá. Diante desse cenário, o investimento em produtos com uma base consumidora garantida se apresenta como opção mais vantajosa quando comparado à apresentação de algo totalmente novo.

Para Bruna Simões, CEO da Thunder Games, estúdio de desenvolvimento de jogos brasileiro, o momento é reflexo de uma estrutura de mercado em que as empresas buscam reduzir as incertezas associadas aos grandes lançamentos. “Considerando os valores elevados para o lançamento de jogos em grande escala, incluindo gastos com desenvolvimento, divulgação e publicação, a possibilidade de não obter o retorno necessário para o lucro torna a criação de ideias totalmente novas pouco atrativa. A opção mais segura é aproveitar um acervo disponível para ser retrabalhado com as tecnologias atuais”.

Outro ponto a ser levado em consideração são mudanças demográficas no perfil do público consumidor. Quem cresceu ao lado de clássicos e agora possui maior poder de compra encontra nos remakes e remasters uma oportunidade de revisitar títulos que fizeram parte de sua infância e adolescência, agora adaptados às possibilidades gráficas e tecnológicas das plataformas atuais.

A nostalgia como tempero

O fator nostalgia é uma peça importante para entender o fenômeno dos remakes e remasters. “Apesar da escolha dos estúdios, é preciso entender que existe uma demanda por parte dos jogadores pela atualização de nomes consagrados. Fóruns, redes sociais e vídeos online são espaços onde ocorrem conversas e pedidos para que determinados jogos ganhem melhorias técnicas e voltem a ocupar as bibliotecas digitais de diferentes plataformas”, pontua Bruna.

Isso não significa, entretanto, que todo relançamento seja recebido sem questionamentos. Alguns casos despertam discussões entre os consumidores sobre a real necessidade de novas versões, especialmente quando o intervalo em relação ao lançamento original é relativamente curto. A franquia The Last of Us, por exemplo, recebeu diferentes versões e atualizações ao longo dos últimos anos, alimentando o debate sobre os limites comerciais dessa estratégia.

Concluindo

O crescimento dos remakes e remasters revela, assim, uma convergência entre estratégia empresarial e comportamento do consumidor. De um lado, os estúdios encontram uma maneira de reduzir riscos em uma indústria na qual os custos de produção atingiram patamares elevados. Do outro, existe um público disposto a pagar para reencontrar títulos e franquias que marcaram diferentes gerações.

Imagem destacada: Nintendo tendências

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