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Habilidades em IA no currículo elevam suas chances em até 15 pontos percentuais

por Paulo Fernandes Maciel

Habilidades em IA no currículo elevam em até 15 pontos percentuais as chances de ser convidado para uma entrevista de emprego, mostra estudo

Em algumas empresas, as Habilidades em IA e o domínio da inteligência artificial já virou parte do próprio teste de seleção.

A inteligência artificial já redefine produtividade, contratação e formação profissional em tecnologia, e os números ajudam a dimensionar essa virada. No dia a dia das empresas, o impacto já é concreto. Pesquisa do Stack Overflow mostra que 84% dos desenvolvedores já usam Habilidades em IA ou planejam usar ferramentas de IA no processo de desenvolvimento, enquanto 51% afirmam utilizar essas ferramentas diariamente.

Habilidades em IA

Um estudo com 1.725 recrutadores dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha mostrou que candidatos que destacam habilidades em inteligência artificial têm entre 8 e 15 pontos percentuais mais chances de serem convidados para entrevistas de emprego, especialmente em áreas como design gráfico, assistência administrativa e engenharia de software.

Esse avanço acompanha a escala dos investimentos no setor. Segundo a Gartner, os gastos globais com inteligência artificial devem atingir US$ 2,52 trilhões em 2026, alta de 44% em relação ao ano anterior. Segundo a Bridgewater Associates, gigantes da tecnologia como Microsoft, Amazon, Meta e Alphabet devem investir juntas cerca de US$ 650 bilhões em infraestrutura de IA somente em 2026.

“Assim como em outras carreiras já foi quase automático listar domínio de Excel ou PowerPoint, e no desenvolvimento de software, durante anos, o conhecimento em linguagens como Java esteve entre as competências mais valorizadas pelo mercado, agora começa a surgir outro item, menos explícito, mas cada vez mais decisivo: a capacidade de trabalhar com inteligência artificial”, destaca Carlos Lopes, sócio e gerente de desenvolvimento de negócios da Codeminer42.

Habilidades em IA
Carlos Lopes, sócio e gerente de desenvolvimento de negócios da Codeminer42 – foto divulgação

Por anos, o mercado tratou o uso de IA em processos seletivos como um problema a ser controlado, com mecanismos para detectar ou proibir seu uso. Storel conta que a Codeminer42 seguiu o caminho oposto.

A boutique brasileira de software decidiu inverter a lógica tradicional de avaliação técnica e tratar a IA não como risco, mas como competência central. “A gente percebeu que o trabalho real de engenharia mudou. A IA já faz parte do dia a dia e continuar avaliando como se ela não existisse criava um descompasso entre o teste e a realidade”, afirma Storel.

O ponto de inflexão veio quando a empresa identificou que estava direcionando esforços para o problema errado.

“Chegou um momento em que estávamos investindo energia em detectar IA, e não em avaliar engenharia. Era uma corrida que não fazia sentido vencer”, diz. “Quanto mais sofisticadas as ferramentas, mais frágil ficava qualquer tentativa de policiamento”.

A partir daí, a pergunta central sobre Habilidades em IA mudou de “essa pessoa usou IA?” para “essa pessoa entende o que produziu com IA?”, e, com ela, toda a lógica do processo seletivo.

A mudança não ficou no discurso; ela alterou diretamente o formato das avaliações. “O teste técnico foi redesenhado: o formato passou a pressupor o uso de inteligência artificial, com problemas pensados para serem resolvidos com a ajuda dessas ferramentas. Ou seja, quem não utiliza IA dificilmente consegue concluir todo o escopo no tempo”, explica Romulo Storel, sócio e Diretor de Recursos Humanos na Codeminer42.

Habilidades em IA
Romulo Storel, sócio e Diretor de Recursos Humanos na Codeminer42 – foto divulgação

O candidato recebe um problema realista e tem liberdade total para usar ferramentas como ChatGPT, GitHub Copilot, Claude ou Cursor, sem qualquer restrição.

Mas o que está sendo avaliado mudou radicalmente. “O foco não é mais o código final, mas o caminho”, explica. “Quais decisões a pessoa tomou, por que escolheu uma abordagem, como validou o que a IA produziu e o quanto consegue defender o resultado”.

Se antes o teste técnico era o centro da avaliação, hoje ele é apenas a primeira etapa. O verdadeiro filtro acontece na entrevista posterior, quando o candidato precisa explicar, justificar e adaptar o que entregou.

“É na conversa que fica evidente quem só copiou e quem realmente entendeu”, afirma Storel. “Perguntamos sobre trade-offs, mudanças de cenário, pontos frágeis. Quem não acompanhou o raciocínio trava.”

Essa etapa funciona como um antídoto para o principal risco do novo modelo: confundir fluência em IA com competência de engenharia. “A IA pode gerar código, mas não pode defender esse código em uma discussão técnica”, diz.

O que pesa agora na avaliação

Hoje, mais do que dominar linguagens de programação, o desenvolvedor precisa saber trabalhar em parceria com a inteligência artificial. Isso envolve desde a capacidade de formular boas perguntas e orientar ferramentas como Codex e Claude Code até a leitura crítica do que é gerado, com atenção a falhas, riscos e inconsistências.

“Ganha destaque quem consegue tomar decisões técnicas com autonomia, interpretar resultados, validar soluções e evoluir o código com base em contexto. Na prática, o diferencial está no discernimento: entender quando usar a IA, como usar e, principalmente, quando não confiar nela”, sublinha o executivo.

Os erros da era da IA

A abertura ao uso de IA também trouxe um novo padrão de erros, menos ligados à execução e mais à validação. Entre os mais comuns observados nos testes estão: aceitar respostas aparentemente corretas que falham em edge cases; perder o controle do contexto em problemas mais longos; adicionar complexidade desnecessária; ou confiar cegamente na primeira sugestão da ferramenta.

Em todos os casos, o problema não está na IA em si, mas na forma como ela é utilizada. “O uso intensivo de IA, por si só, não é preditor de aprovação”, afirma Storel. “Os melhores candidatos combinam uso estratégico com revisão crítica”, completa.

Mercado

Um dos achados mais interessantes da nova abordagem é que idade, formação ou senioridade não são bons preditores de desempenho.

Há desenvolvedores juniores se destacando, especialmente os que aprenderam a usar IA de forma crítica, e profissionais experientes enfrentando dificuldades, seja por resistência à ferramenta ou excesso de confiança. “O que mais diferencia hoje é maturidade técnica e postura investigativa”, explica. “Capacidade de questionar, validar e adaptar”.

Entre os extremos, surgem dois desafios: os juniores que dependem demais da IA e não constroem repertório próprio, e os seniores que resistem ao uso e perdem eficiência.

Requisitos do novo currículo

Na prática, o currículo não muda tanto na forma, mas muda no conteúdo relevante. Os requisitos continuam sendo: domínio de fundamentos; experiência com tecnologias; e projetos consistentes.

Mas ganha peso quem consegue demonstrar o uso real de IA no dia a dia; a capacidade de integrar ferramentas ao processo; e a experiência prática em resolução de problemas com IA. “Não é preciso listar ferramentas, mas sim mostrar onde e como você usou, e o que decidiu a partir disso.”

Outra transformação estrutural está no próprio conceito de “bom engenheiro”. O profissional altamente especializado em escrever código manual perde espaço para um perfil mais amplo: generalista; proativo; com visão de produto; e orientado à resolução de problemas. “O código está virando commodity”, afirma. “O diferencial é saber estruturar problemas, fazer as perguntas certas e validar respostas”.

Com IA, a produtividade pode ser multiplicada, mas também o risco de erro. Por isso, o conhecimento técnico não perde relevância, ele muda de papel. “Sem base, o profissional vira refém da ferramenta”, diz. “É o fundamento que permite avaliar se o que a IA produziu está correto.”

Outro traço marcante do momento atual é a velocidade da transformação. Ferramentas evoluem rapidamente, tornando difícil para modelos tradicionais de formação acompanharem esse ritmo. Como consequência, cresce a valorização de profissionais autodidatas, capazes de aprender de forma contínua, se adaptar com rapidez e acompanhar as mudanças do mercado em tempo real. “A maioria aprende por tentativa e erro”, afirma Storel. “Quem se destaca é quem consegue evoluir junto com as ferramentas.”

Dentro das empresas, o uso segue a mesma lógica adotada no processo seletivo. A expectativa não é substituir o engenheiro, mas potencializá-lo. “IA é um amplificador, e não um substituto”, resume Storel. “Ela acelera partes mecânicas, ajuda a explorar caminhos, mas o julgamento continua sendo humano.”

Na Codeminer42, isso se traduz em workshops semanais sobre uso de IA; discussões diárias entre equipes; e mentoria contínua para garantir que a ferramenta seja incorporada ao processo de engenharia sem abrir mão do rigor técnico e da responsabilidade sobre o que é entregue.

“Empresas que resistem às Habilidades em IA estão filtrando pelo critério errado e acabam selecionando quem disfarça melhor o uso de IA, não quem trabalha melhor”, completa Lopes.

O que vem pela frente sobre Habilidades em IA

Nos próximos três a cinco anos, a tendência é que os formatos dos processos seletivos sejam aprimorados, cada vez mais práticos; integrem IA de forma nativa; valorizem o raciocínio sobre execução; e priorizem a tomada de decisão.

“Nos próximos anos, a tendência é que os processos seletivos se aproximem cada vez mais do ambiente real de trabalho, com IA integrada, decisões complexas e foco em raciocínio. A capacidade de pensar, decidir e assumir responsabilidade em um mundo onde a inteligência artificial já faz parte do trabalho”, resume.

Sobre a Codeminer42: https://www.codeminer42.com 

Referências:

https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2026-1-15-gartner-says-worldwide-ai-spending-will-total-2-point-5-trillion-dollars-in-2026

https://www.reuters.com/business/big-tech-invest-about-650-billion-ai-2026-bridgewater-says-2026-02-23

https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2026-05-05-gartner-says-autonomous-business-and-artificial-intelligence-layoffs-may-create-budget-room-but-do-not-deliver-returns

https://www.manpowergroup.com/en/news-releases/news/global-talent-shortage-reaches-turning-point-as-ai-skills-claim-top-spot

https://arxiv.org/abs/2601.13286 vv

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