IA sem estratégia não entrega valor, alerta especialista da Red Hat
Alexandre Duarte, VP de Serviços para a América Latina, afirma IA sem estratégia e que o foco exclusivo em infraestrutura já não é suficiente; para ele, é necessária uma abordagem orientada ao impacto real e aos objetivos estratégicos das organizações
A adoção de inteligência artificial segue em expansão, impulsionada por investimentos crescentes e pelo avanço das tecnologias generativas. No entanto, transformar essa adoção em resultados concretos ainda é um desafio para a maioria das organizações, segundo Alexandre Duarte, VP de Serviços para a América Latina na Red Hat.
Os investimentos globais em IA devem alcançar US$ 2,5 trilhões em 2026, um crescimento de 47% em relação ao ano anterior, segundo o Gartner. O retorno dessa inversão, porém, está longe de ser uniforme. Estudo da PwC aponta que 74% do valor econômico gerado por IA está concentrado em apenas 20% das empresas, uma evidência de que o diferencial não está no quanto se investe, mas em como a tecnologia é aplicada.

Para Duarte, é justamente essa lacuna que define a próxima fase da IA nas organizações: sair de iniciativas isoladas e evoluir para uma arquitetura orientada ao negócio, capaz de conectar tecnologia diretamente aos objetivos estratégicos.
Na visão do especialista, a infraestrutura continua sendo um elemento essencial, mas não suficiente para garantir resultados. A geração de valor, segundo ele, depende da integração entre dados, processos e decisões, somada à governança, à soberania digital e ao alinhamento com as prioridades corporativas.
“A próxima fase da inteligência artificial não será definida apenas por modelos ou agentes mais avançados, mas pela capacidade das empresas de conectar todo o stack tecnológico da IA generativa diretamente aos seus objetivos de negócio e gerar impacto real”, afirma.
O tema ganha relevância à medida que a IA avança no ambiente corporativo. Ainda assim, o especialista aponta que o principal desafio deixou de ser o acesso à tecnologia e passou a ser sua aplicação estratégica. “Empresas que conseguem integrar a IA à operação e aos modelos de negócio tendem a avançar mais rapidamente na captura de valor e na escalabilidade das iniciativas”, ressalta.
Nos próximos anos, conclui o executivo, o diferencial competitivo estará menos na adoção da tecnologia em si e mais na capacidade de estruturá-la de forma alinhada ao negócio, transformando investimento em impacto mensurável. Neste cenário, a soberania digital – a autonomia para manter controle sobre dados e infraestrutura – torna-se um fator central, ao assegurar às organizações condições de escalar a IA com segurança.
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