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O Google aposta no Brasil na real; no .br

Google aposta no .br

Sem fronteiras: Fábio Coelho (primeiro ã esq.), CEO do Google Brasil, e parte da equipe do gTech no País (Crédito: Andre Lessa/Istoe)

O time brasileiro da gigante de buscas começa a ganhar destaque ao exportar inovações para outras operações da companhia.
Em 2015, quando o Google dividiu seus negócios em empresas independentes, sob o guarda-chuva da holding Alphabet, o plano era bem claro.

De um lado, ficariam as operações ligadas a novas frentes, como o carro autônomo e o óculos inteligente Google Glass.

Em outra ponta, as vertentes já estabelecidas, que ajudariam a “pagar a conta” dos projetos inovadores, porém ainda deficitários.

A milhares de quilômetros da sede do grupo, em Mountain View (EUA), e sem braços relacionados às soluções em gestação;

A subsidiária brasileira do Google ficou distante dessas iniciativas embrionárias.
Em contrapartida, o País começou a ganhar destaque em outro plano:

O desenvolvimento e a exportação de inovações incrementais, a partir dos produtos de prateleira da gigante de buscas.

Esse avanço no mapa de inovação do grupo está personificado na versão tupiniquim do gTech;

Divisão global que apoia clientes empresariais no uso do portfólio da companhia.

A prioridade são as tecnologias ligadas à publicidade digital, responsável por 88% da receita de US$ 90,3 bilhões da Alphabet.

Instalado na sede brasileira do Google, em São Paulo, o time de cerca de 50 engenheiros e analistas está cruzando fronteiras.
“O Brasil se transformou em uma fonte de inovação para o Google”, diz Fábio Coelho, CEO da empresa no País.

“O trabalho do gTech está contribuindo para refinar nossos produtos em uma escala global.”

A equipe do gTech destoa do estereótipo do profissional enfurnado em uma sala lidando com linguagens de programação.

Tampouco se assemelha à visão clássica dos laboratórios de pesquisa.

O time trabalha diretamente com as áreas de negócios do Google.

“Eles mesclam conhecimento técnico com a capacidade de sentar à mesa com o CEO de um cliente”;

Diz André Silva, engenheiro-chefe do gTech.
Um dos frutos desse trabalho é a tecnologia apelidada de Vogon.

Ela permite criar variações infinitas de uma peça publicitária.

A ideia é dar às marcas a possibilidade de trabalhar anúncios “ultra segmentados” no YouTube.

No Brasil, a solução foi adotada, por exemplo, pela Claro, que divulgou seus planos pré-pagos com mais de 60 vídeos;

Nos quais o mote “O preZÃO da Claro dura mais que…” era completado com uma frase relacionada ao vídeo prestes a ser exibido no YouTube.

No mapa:

Para divulgar o aplicativo Digi Music, a operadora Digi, da Malásia, usou uma das tecnologias criadas pelo time brasileiro.
A tecnologia já tem o passaporte carimbado em muitos países.

Empresa de telefonia da Malásia, a Digi usou a Vogon em uma campanha do Digi Music, seu aplicativo de música.

Os anúncios customizados eram baseados no artista que o internauta estava assistindo no YouTube.

A americana Campbell também apostou na solução. Veiculada na Austrália, a ação envolveu 1,7 mil variações de um vídeo;

E gerou um crescimento de 55% nas vendas de sopas da marca no país.
Tecnologias desse porte são essenciais para o Google combater o avanço de rivais como o Facebook na publicidade.

“A propaganda digital está deixando de seguir um modelo de interrupção, para ser contextual”, diz Marcelo Nakagawa, diretor de empreendedorismo da FIAP.

Nesse cenário, ele entende que o Brasil pode exercer um papel global cada vez mais relevante, pelo fato de ser um mercado nem tão avançado e nem tão atrasado digitalmente.

“O Brasil é mais propenso a desenvolver inovações com potencial de adoção tanto por um varejista na região Norte quanto por um anunciante da Grécia.”
Esse é o caso de um projeto criado com o Magazine Luiza e a Samsung.

Batizada de Goop, a iniciativa desafia um modelo tradicional, no qual as indústrias, para impulsionar a venda de seus produtos;

Destinam parte de suas verbas publicitárias a um varejista.

Esse, por sua vez, aplica o montante nas mídias de sua escolha, sem que o parceiro tenha visibilidade sobre o investimento.

O gTech criou um painel de informações em tempo real sobre o retorno da campanha, compartilhado pelas duas pontas.

É possível acompanhar desde o clique do consumidor nos anúncios na busca do Google até a finalização da compra no site do varejista.
“Essa tecnologia quebra um paradigma na relação entre o varejo e a indústria”;

Diz Leonardo Marques, coordenador de parcerias de e-commerce do Magazine Luiza.

Além da Samsung, a rede já usa o formato com outros parceiros, como LG, Microsoft e Lenovo.

Em 2017, a empresa ampliou em 5% seus investimentos em publicidade no Google.

Uma prova do potencial global da solução foi dada em junho, em evento do Google e do Boston Consulting Group, em Nova York.

O case foi apresentado a empresas do setor e já começa a gerar os primeiros pilotos em países como os Estados Unidos.

“Todos ficaram de queixo caído”, afirma Claudia Sciama, diretora de varejo do Google Brasil.

“Essa transparência é uma necessidade no mundo inteiro.”
A mais recente candidata a exportação é uma ferramenta que analisa, em todo o acervo do YouTube, dados como descrição, áudio e as menções a uma empresa ou categoria de produtos.

A ideia é identificar conteúdos que tenham afinidade com uma marca, para a inserção de anúncios antes da exibição dos vídeos.

“Além das ações de marketing e branding, uma possibilidade é veicular campanhas de gerenciamento de crise de uma marca, quase em tempo real”;

Diz André Silva, do gTech.

“Talvez não saia daqui o próximo Gmail.

Mas estamos produzindo inovações que trazem resultados e eficiência.

E que já estão ganhando o mundo.”

Fonte: revista Isto É

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