Home Entretenimento Travel Techs e TMCs fazem o mesmo?

Travel Techs e TMCs fazem o mesmo?

por Paulo Fernandes Maciel

As TMCs e as Travel Techs prestam o mesmo serviço com algumas conotações tecnológicas nas viagens corporativas

Convergência entre modelos leva TMCs a incorporar plataformas e automação, enquanto Travel Techs avançam sobre serviços tradicionais

A fronteira entre TMCs e travel techs está cada vez mais estreita no mercado de viagens corporativas. Enquanto empresas de gestão de viagens aceleram investimentos em tecnologia, automação e inteligência de dados, as plataformas digitais ampliam seus serviços para atender demandas que tradicionalmente ficavam concentradas nas TMCs.

O movimento acompanha a mudança nas expectativas dos próprios compradores. Uma pesquisa da Global Business Travel Association (GBTA) mostra que 92% têm interesse em analytics preditivo para previsão de gastos e 89% querem automação para gerenciamento de imprevistos e remarcações. Ao mesmo tempo, 58% afirmam que a inteligência artificial teve pouco ou nenhum impacto em seus programas de viagens até agora, indicando que ainda existe espaço para transformar tecnologia em soluções efetivamente úteis para a operação.

Travel Techs

Para Humberto Cançado, sócio-diretor da Voetur Viagens, a transformação indica uma convergência dos dois modelos. “As TMCs estão se tornando travel techs e as travel techs estão se tornando TMCs. Acho que isso é um caminho sem volta. O que passa a importar é como combinar tecnologia, conteúdo e atendimento para entregar uma experiência mais completa”, afirma.

A Voetur acompanha esse movimento nos dois lados. A empresa mantém sua atuação como TMC, com gestão de viagens e atendimento especializado, enquanto investe em tecnologia e desenvolveu a Payfly, travel tech voltada à gestão de viagens e despesas corporativas.

Criada inicialmente com foco em pequenas e médias empresas, a solução também passou a atender grandes corporações. Atualmente, a Payfly está em operação em um dos maiores bancos públicos do país, em uma estrutura que reúne mais de 100 mil usuários e cerca de 8 mil viajantes.

“O mais interessante foi perceber que uma solução pensada inicialmente para pequenas e médias empresas também despertou o interesse de grandes contas. Isso mostrou que a demanda por tecnologia e eficiência atravessa diferentes perfis de empresas”, diz Cançado.


Tecnologia não elimina atendimento

A evolução das plataformas também muda o papel das TMCs. Reservas, aprovações, pagamentos e relatórios podem ser automatizados, enquanto ferramentas de IA passam a apoiar previsão de gastos, análise de dados e gestão de imprevistos.

Mas a tecnologia não elimina a necessidade de atendimento especializado. Em pesquisa apresentada na convenção da GBTA em 2026, 58% dos compradores apontaram resposta e suporte humano contínuos como o elemento mais importante para a segurança do viajante.

Para Cançado, essa combinação é justamente o diferencial da Voetur.

“A tecnologia resolve muito do que é operacional e repetitivo. Mas existem situações de alteração, cancelamento, emergência ou necessidade específica em que o cliente precisa falar com alguém que conhece aquela operação. Não queremos escolher entre tecnologia e atendimento. Temos os dois e entendemos que eles são complementares”, afirma.

A estratégia também reflete uma transformação no próprio papel das TMCs. Com a digitalização, o atendimento humano tende a se concentrar menos em tarefas operacionais e mais em situações que exigem conhecimento, contexto e tomada de decisão.

“As travel techs estão fazendo muito do que as TMCs faziam e as TMCs estão fazendo muito do que as travel techs fazem. Então, vejo isso como uma evolução natural. O mercado precisa ser complementar na distribuição e também na forma de entregar o serviço”, conclui Cançado.

Convergência

A convergência dos modelos coloca outra questão no centro da discussão: a capacidade de resolver as dores do cliente. Seja por meio de uma plataforma, de automação, de inteligência de dados ou de atendimento especializado, a tecnologia e os serviços precisam estar a serviço da operação. Para o gestor, a discussão não é necessariamente sobre qual modelo está por trás da solução, mas sobre a capacidade de simplificar processos, reduzir problemas, dar visibilidade aos gastos e oferecer suporte quando necessário.

Com a operação de TMC e a Payfly dentro do mesmo ecossistema, a Voetur busca ocupar esse espaço de convergência, combinando tecnologia para dar escala e autonomia com conteúdo e atendimento para lidar com situações que exigem experiência e proximidade.

Você também pode gostar

Deixe um Comentário

Ao navegar neste site, você aceita os cookies que usamos para melhorar sua experiência. Aceito Mais informações