A ampliação da participação das mulheres no mercado de criptomoedas e impulsiona nova fase da adoção de ativos digitais
Crescimento da presença feminina em investimentos em criptomoedas (mulheres no mercado de criptomoedas) reflete avanço da educação financeira, maior regulamentação do setor e novas oportunidades na economia digital
A participação das mulheres no mercado de criptomoedas segue em crescimento no Brasil e no mundo. No Brasil, dados da Receita Federal, divulgados em 2026 e referentes às operações realizadas em 2025, apontam que elas responderam por 29,96% das operações com criptoativos realizadas por pessoas físicas. Em âmbito global, estimativas da Triple-A indicam que aproximadamente 562 milhões de pessoas possuem criptomoedas e que 39% dos detentores desses ativos são mulheres, demonstrando uma diversificação gradual do perfil dos investidores.

Mulheres o mercado cripto representam 39%
Globalmente, estima-se que aproximadamente 562 milhões de pessoas possuam criptomoedas, o equivalente a cerca de 6,8% da população mundial. Entre esses investidores, as mulheres representam aproximadamente 39%, percentual superior ao registrado há poucos anos. Outro levantamento internacional aponta que a participação feminina no mercado de criptomoedas e ou entre usuários de plataformas de cripto cresceu de 12% em 2022 para 19% em 2025, consolidando-se como um dos principais fatores para a expansão da adoção de ativos digitais em diferentes mercados.
No Brasil, os números também demonstram uma evolução consistente. Dados da Receita Federal divulgados em 2026, referentes às operações realizadas em 2025, mostram que as mulheres responderam por 29,96% das operações com criptomoedas realizadas por pessoas físicas. Em agosto de 2019, esse percentual era de apenas 11,34%, o que representa um crescimento aproximado de 164% em seis anos.
“O crescimento da participação feminina demonstra que o mercado de criptomoedas está se tornando mais acessível e diversificado. A informação e a educação financeira têm papel fundamental nesse processo, permitindo que mais mulheres compreendam os riscos, as oportunidades e utilizem os ativos digitais como parte de uma estratégia patrimonial de longo prazo”, afirma Cleverson Pereira, head educacional da AVO.

A força das mulheres no mercado de criptomoedas
Apesar desse avanço d presença de mulheres no mercado de criptomoedas, ainda existe diferença no volume financeiro movimentado. As investidoras responderam por 12,88% do valor total negociado no período, indicando que, em média, realizam operações de menor valor em comparação aos homens. Especialistas apontam que esse comportamento está mais relacionado à estratégia de investimento do que ao interesse pelo setor.
“O fato de as mulheres movimentarem um volume financeiro menor não significa uma participação menos relevante no mercado. Os dados indicam um perfil de investimento mais cauteloso, com maior preocupação em compreender o funcionamento dos ativos, diversificar a carteira e construir patrimônio de forma gradual. Esse comportamento é bastante semelhante ao observado em outros segmentos do mercado financeiro”, complementa.
Levantamentos internacionais sobre o comportamento dos investidores indicam que as mulheres tendem a adotar uma estratégia mais voltada ao longo prazo no mercado de criptomoedas, realizando menos operações de compra e venda e priorizando uma gestão de risco mais conservadora. Pesquisas da Gemini, da BTC Markets e da Bitpanda também apontam maior busca por educação financeira antes do primeiro investimento e preferência por ativos consolidados, como Bitcoin e Ethereum, em detrimento de operações mais especulativas de curto prazo.
Nova maneira para diversificar patrimônio
Larissa Bandoni conheceu o mercado de criptomoedas em 2021, mas foi a partir de 2024 que passou a estudá-lo com maior profundidade. Na época, ela já atuava em sua corretora de seguros, atividade que mantém até hoje e concilia com o trabalho no setor de criptoativos. O crescimento do mercado despertou seu interesse inicial, mas foi a possibilidade de diversificar o patrimônio por meio de uma estrutura descentralizada que consolidou sua decisão de investir e se especializar na área.
“O que mais me chamou a atenção foi perceber que os criptoativos poderiam integrar uma carteira mais diversificada e menos dependente dos sistemas financeiros tradicionais. Sempre enxerguei esse mercado como uma alternativa de proteção patrimonial e exposição a uma tecnologia com grande potencial de desenvolvimento”, afirma Larissa.

Autodidatismo em investimentos
Autodidata, ela construiu sua formação por meio de conteúdos gratuitos, vídeos, livros e da própria experiência prática, entre erros e acertos. Posteriormente, buscou qualificação profissional, obtendo as certificações CCA e ANCORD e concluindo um MBA em Economia e Investimentos pela USP. Segundo Larissa, um dos principais desafios de sua trajetória foi encontrar, no Brasil, materiais realmente completos e confiáveis sobre o setor. A predominância masculina no mercado também tornou o caminho mais desafiador, mas sua postura, conhecimento e determinação as fizeram continuar e conquistar seu lugar neste mercado.
Hoje, parte de seu trabalho consiste em traduzir conceitos complexos para pessoas que ainda não têm familiaridade com os ativos digitais. Para isso, utiliza exemplos do cotidiano para explicar o funcionamento do mercado, suas possibilidades e também os riscos envolvidos.
“Minha principal recomendação para outras mulheres é que busquem conhecimento antes de investir e não se intimidem por estarem entrando em um ambiente ainda predominantemente masculino. É preciso estudar, testar com responsabilidade e compreender os riscos. Mesmo diante das incertezas regulatórias no Brasil, não pretendo deixar de investir em criptoativos, porque acredito na tecnologia e no papel que esses ativos podem desempenhar em uma estratégia patrimonial de longo prazo”, conclui Larissa Bandoni, especialista em criptoativos, qualificada pela ANCORD e CCA, com MBA em Economia e Investimentos pela USP.
Educação financeira e inclusão impulsionam novas oportunidades
Embora o ecossistema blockchain ainda seja predominantemente masculino, especialistas apontam que algumas barreiras vêm sendo reduzidas gradativamente. Entre os desafios ainda presentes estão a predominância masculina nas áreas de tecnologia, a linguagem técnica utilizada em parte do mercado, a menor presença feminina em cargos de liderança e a histórica baixa participação das mulheres em investimentos considerados de maior risco.
Ao mesmo tempo, a evolução da tokenização de ativos, das finanças descentralizadas (DeFi), da inteligência artificial e da Web3 abre espaço para uma participação cada vez maior das mulheres em diferentes áreas da economia digital. Além de investidoras, elas passam a atuar como desenvolvedoras blockchain, especialistas em compliance, analistas de criptoativos, executivas de exchanges, gestoras de comunidades Web3, produtoras de conteúdo sobre educação financeira e empreendedoras em startups voltadas aos ativos digitais.
Tendência é de crescimento nos próximos anos
Analistas do setor avaliam que a participação feminina no mercado de criptomoedas deve continuar avançando nos próximos anos, impulsionada pela regulamentação dos ativos digitais, pela expansão da educação financeira, pelo crescimento da tokenização de ativos, pela entrada de investidores institucionais e pelo fortalecimento de comunidades voltadas à inclusão feminina no ecossistema blockchain.
Para Cleverson Pereira, esse movimento representa uma mudança estrutural no mercado. “À medida que o setor amadurece, a informação se torna mais acessível e a regulamentação avança, cresce também a confiança dos investidores. A tendência é que vejamos cada vez mais mulheres participando não apenas como investidoras, mas ocupando posições estratégicas em todo o ecossistema de ativos digitais”, conclui o head educacional.
Principais indicadores dão conta do número de mulheres no mercado de criptomoedas
562 milhões de pessoas possuem criptomoedas no mundo;
Mulheres representam cerca de 39% dos detentores globais de criptoativos;
Participação feminina nas operações de criptomoedas no Brasil chegou a 29,96% em 2025;
Em 2019, esse percentual era de 11,34%, crescimento de aproximadamente 164%;
Mulheres responderam por 12,88% do valor financeiro negociado no país;
Em plataformas globais, a participação feminina passou de 12% para 19% entre 2022 e 2025.