Com o grande volume de dados pessoais de
alunos, pais e professores, armazenados nas instituições de ensino, as escolas
e universidades brasileiras viraram grandes alvos de ciberataques. Das invasões
registradas no setor educacional no país, 40% são consideradas de alta
severidade. Uma investigação inédita da Kaspersky
reuniu três casos reais ocorridos no Brasil, revelando como cibercriminosos
usam desde programas populares de suporte remoto para o sequestro de dados (por
meio da implantação de ransomware) até pendrives para coleta de informações e
espionagem interna. Entenda o modus operandi dos ataques e como se proteger.
A análise aponta que as invasões graves são impulsionadas por
falhas básicas de segurança, como senhas vazadas e o uso de sistemas
operacionais desatualizados. As instituições privadas aparecem como as
principais vítimas de ataques de extorsão por ransomware, enquanto escolas e
universidades públicas sofrem majoritariamente com invasões em computadores
locais e tentativas de acesso privilegiado aos sistemas. Conheça os acasos
abaixo.
Caso 1: Sequestro de dados a partir de senha
vazada de funcionário
A invasão começou quando criminosos conseguiram a senha de um
funcionário e entraram no sistema da escola. Já dentro da rede, eles usaram um
ransomware, programa malicioso feito para “sequestrar” os arquivos e
somente liberá-los mediante pagamento.
Para espalhar esse programa malicioso pelos computadores da escola
sem acionar os alarmes do antivírus, os invasores usaram ferramentas normais de
trabalho do próprio sistema. O ataque acabou sequestrando os servidores de
arquivos e bancos de dados mais importantes da instituição, deixando bloqueados
os históricos acadêmicos, fichas dos alunos, entre outras informações.
Caso 2: Uso de software de acesso remoto
(AnyDesk) para infectar rede com ransomware
Em outro caso, os cibercriminosos usaram a conta de um usuário
comprometido para instalar o AnyDesk, um aplicativo bastante comum usado para
controlar computadores de forma remota. Por meio dele, o grupo cibercriminoso
assumiu o controle de todo o sistema da escola.
Depois de usarem um ransomware para sequestrar os dados e exigir
um resgate, os invasores apagaram o histórico de navegação e registros (logs)
do sistema para esconder os rastros do crime. Mesmo assim, os especialistas da
Kaspersky conseguiram analisar o computador e descobrir como o ataque
aconteceu.
Caso 3: Espionagem interna: roubo de senhas com
programa espião e pendrive
O terceiro caso mostra um perigo que veio de dentro da própria
escola. Em um computador que era compartilhado por várias pessoas sem que cada
uma tivesse sua própria senha de acesso, alguém instalou um programa espião
capaz de gravar tudo o que era digitado no teclado (keylogger).
Esse programa era tão detalhado que identificava até as letras
maiúsculas para roubar as senhas com exatidão, salvando tudo em uma pasta
oculta. Para pegar as senhas roubadas, uma pessoa só precisou espetar um
pendrive no computador e copiar os arquivos. O incidente obrigou a escola a
trocar as senhas de todos os usuários e mostrou o perigo de ter computadores
sem acesso individual para cada usuário.
“As redes educacionais têm um desafio único: precisam ser
acessíveis para alunos, professores e terceiros, mas essa flexibilidade vira
uma vulnerabilidade crítica se não houver controle de acesso. Existe uma falsa
impressão de que escolas não são alvos prioritários, mas a realidade é o
oposto. Os dados acumulados nelas, como CPFs e informações de famílias
inteiras, são uma mina de ouro para golpistas aplicarem fraudes e roubo de
identidade no Brasil. Quando uma instituição falha na higiene digital básica, ela
não coloca em risco apenas a sua operação, mas a segurança de toda a sua
comunidade”, ressalta Cristian Souza, especialista da equipe de Resposta
a Incidentes (GERT) da Kaspersky no Brasil.
Para evitar que redes acadêmicas sejam comprometidas, a Kaspersky
recomenda:
- Autenticação de dois fatores (MFA): Tornar o uso de MFA obrigatório para todos os acessos
externos, como VPNs, e-mails e portais educacionais, neutralizando o uso
de senhas vazadas. - Contas individuais e privilégios mínimos: Eliminar contas genéricas ou compartilhadas. Cada aluno e
funcionário deve ter um login próprio e apenas o acesso estritamente
necessário para suas funções. - Monitoramento de softwares de acesso remoto: Restringir e monitorar continuamente o uso e a instalação de
ferramentas como AnyDesk, TeamViewer e PsExec na rede corporativa. - Estratégia rígida de backup: Manter cópias de segurança isoladas (offline) da rede
principal e testar a restauração dos dados periodicamente. - Gestão de patches: Atualizar
rigorosamente sistemas operacionais e softwares, eliminando de vez
sistemas sem suporte do fabricante.
Para acessar a análise técnica completa, acesse o
blog oficial de inteligência de ameaças da Kaspersky no Securelist.
Fonte: https://www.kaspersky.com.br/about/press-releases/