Home Dicas Aceita cookies? Parece bom precisa de cuidados

Aceita cookies? Parece bom precisa de cuidados

por Paulo Fernandes Maciel

Aceita cookies? O nome é amigável mas representa grande risco digital; entenda

Especialista alerta sobre quando você permite e ou aceita cookies, para os riscos de aceitar sem consultar quais dados estão sendo compartilhados

Ao abrir um site para fazer uma compra, ler uma notícia ou acessar um serviço, uma mensagem costuma aparecer perguntando se o usuário aceita cookies. Na maioria das vezes, a resposta é automática: um clique em “Aceitar todos” e assim você aceita cookies para seguir navegando. O que muita gente não sabe é que essa ação pode autorizar a coleta e o compartilhamento de diversas informações sobre sua navegação.

Embora os cookies desempenhem um papel importante para o funcionamento de muitos sites, nem todos têm a mesma finalidade. Alguns são essenciais para manter a página funcionando corretamente, enquanto outros registram hábitos de navegação, preferências de consumo e comportamentos online, permitindo a criação de perfis para publicidade direcionada e outras estratégias de marketing.

Cookie – (imagem: freepik.com)

Segundo Lucas Paglia, advogado especializado em Direito Digital, cibersegurança, proteção de dados e compliance regulatório, esse é um dos hábitos digitais mais comuns e menos compreendidos pelos brasileiros. “Grande parte das pessoas acredita que todos os cookies são necessários para utilizar um site, mas isso não é verdade. Em muitos casos, apenas os cookies essenciais precisam estar ativos”, explica.

Quem nunca pesquisou uma única vez sobre compra de um item na internet e foi bombardeado por vários dias com anúncios do mesmo item? O advogado elucida as informações coletadas nos sites criam um perfil digital do usuário, fazendo com que anúncios, produtos e conteúdos apareçam de forma “despretensiosa” porém muito personalizada.

“Ao aceitar os cookies, o usuário pode estar autorizando o compartilhamento de dados com diversas empresas parceiras. Eles não acessam senhas nem arquivos pessoais do computador, mas conseguem registrar informações importantes sobre a forma como cada pessoa navega na internet. Isso posteriormente é utilizado para a personalização”, complementa.

A prática é regulamentada pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece que o tratamento de dados pessoais deve ocorrer de forma transparente e, quando necessário, mediante consentimento livre e informado. Por isso, o usuário tem o direito de escolher quais categorias de cookies deseja permitir, especialmente aqueles que não são essenciais para o funcionamento da página.

Outra medida além de personalizar o consentimento, outra medida importante é revisar periodicamente os cookies armazenados no navegador e apagá-los quando necessário. A configuração pode ser feita diretamente nas opções de privacidade dos principais navegadores, como Chrome, Edge, Firefox e Safari.

“O melhor caminho é dedicar alguns segundos para verificar as configurações do banner de cookies. Hoje, muitos sites permitem rejeitar os cookies de publicidade e de rastreamento sem impedir o acesso ao conteúdo. Pequenas escolhas como essa ajudam a preservar privacidade e dão mais controle sobre os próprios dados”, indica Lucas.

Com o aumento dos golpes digitais e crescentes discussões sobre proteção de dados, inteligência artificial e publicidade digital, especialistas reforçam que compreender o funcionamento dos cookies deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a fazer parte da educação digital. Afinal, um simples clique pode revelar muito mais sobre os hábitos de uma pessoa do que ela imagina.

Sobre

Lucas Paglia é advogado especializado em direito digital, com foco em cybersegurança, proteção de dados e compliance regulatório. Presidente da Rede Governança Brasil (RGB) e uma das principais referências nacionais em proteção de dados, governança e cibersegurança, com especialização pela Universidade de Harvard. Também é membro da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e possui forte atuação institucional em entidades da América Latina. Como educador, já formou mais de 4 mil alunos em proteção de dados, é professor em instituições como Puccamp e SEBRAE Nacional.

Você também pode gostar

Deixe um Comentário

Ao navegar neste site, você aceita os cookies que usamos para melhorar sua experiência. Aceito Mais informações