Inteligência artificial impulsiona nova era de soluções liquid cooling em data centers
Especialista da Schneider Electric analisa como a evolução das cargas de IA lidera uma nova geração de infraestrutura digital soluções liquid cooling, mais eficiente, resiliente e preparada para altas densidades computacionais
O avanço da inteligência artificial (IA) está revolucionando a infraestrutura digital e impondo novos desafios para a operação dos data centers. Com aplicações cada vez mais intensivas em processamento, cresce também a necessidade de soluções capazes de garantir eficiência energética, disponibilidade e desempenho, acelerando a adoção do liquid cooling como tecnologia essencial para suportar a nova geração de cargas computacionais.
A expansão da IA generativa (GenAI), da análise avançada de dados e de aplicações de alta performance está elevando rapidamente a demanda por capacidade computacional e, consequentemente, por energia. Segundo um estudo recente do Gartner, o consumo mundial de eletricidade dos data centers deverá crescer 26% esse ano, alcançando 565 terawatts-hora (TWh), frente aos 447 TWh registrados em 2025. A consultoria projeta que a procura global por potência chegará a 132 gigawatts (GW) em 2026 e poderá atingir 290 GW até 2030, impulsionada principalmente pela GenAI.

Esse movimento está dando origem às chamadas AI Factories (ou, em tradução livre, Fábricas de IA), infraestruturas desenvolvidas especificamente para treinar, implementar e operar modelos avançados de IA em larga escala. Diferentemente dos data centers tradicionais, essas instalações utilizam plataformas aceleradas por GPUs de alto desempenho, exigindo muito mais energia e capacidade de dissipação térmica.
Essa mudança representa uma guinada na arquitetura tecnológica de hoje. Enquanto instalações convencionais operam com densidades entre 5 kW e 50 kW por rack e usam predominantemente refrigeração a ar, as AI Factories já trabalham com densidades superiores a 50 kW por rack – e, em muitos casos, ultrapassam 100 kW por rack – convertendo o liquid cooling uma necessidade operacional.
Pensando nesse cenário, a Schneider Electric, líder global em tecnologia de energia, analisa a evolução das cargas de trabalho de IA transformando a infraestrutura dos data centers e ditando uma nova abordagem para a refrigeração dessas instalações. Para explicar esse movimento, Luis Cuevas, diretor de Secure Power e Cloud & Service Provider da Schneider Electric no Brasil, afirma que a IA alavanca a densidade de potência dos racks a níveis que desafiam os sistemas convencionais de refrigeração. “O liquid cooling permite remover o calor diretamente dos componentes mais críticos, como as GPUs, assegurando maior eficiência térmica, disponibilidade da infraestrutura e continuidade das operações.”
Eficiência energética passa a ser fator estratégico
Além do aumento da capacidade computacional, a IA amplia a pressão sobre a infraestrutura energética. A Schneider Electric estima que a demanda global por eletricidade crescerá mais de 20% até 2030, tracionada, sobretudo, pela expansão da IA.
De acordo com Cuevas, esse crescimento requer uma visão integrada da infraestrutura, já que perdas significativas ocorrem ao longo de toda a cadeia energética – desde a transmissão e distribuição da energia até sistemas de UPS, refrigeração e a própria eficiência das GPUs. Como resultado, apenas parte da energia gerada chega efetivamente aos processadores responsáveis pelas cargas de IA.
Nesse contexto, a eficiência se revela um fator estratégico para proporcionar escalabilidade, reduzir custos e minimizar impactos ambientais. “A nova geração de data centers precisa ser projetada considerando energia, refrigeração e capacidade computacional como um único ecossistema”, acrescenta Cuevas.
O futuro será híbrido
A expectativa do setor é de que os data centers do futuro combinem sistemas tradicionais de refrigeração a ar com soluções de liquid cooling, aproveitando as vantagens de cada tecnologia conforme o perfil das cargas de trabalho.
Para acelerar essa transição, a Schneider Electric mantém uma parceria estratégica com a NVIDIA para desenvolver arquiteturas de AI Factories validadas por meio de gêmeos digitais (digital twins) e simulações de dinâmica dos fluidos computacional (CFD), viabilizando otimizar a performance térmica e energética antes mesmo da construção da infraestrutura.
“A tendência é que os data centers se tornem ambientes híbridos, aliando air cooling e liquid cooling conforme a densidade das aplicações. Esse modelo possibilitará equilibrar eficiência energética, desempenho computacional e sustentabilidade, preservando a resiliência necessária para apoiar a expansão da IA”, conclui Cuevas.
Sobre a Schneider Electric
A Schneider Electric é líder global em tecnologia de energia, promovendo eficiência e sustentabilidade por meio da eletrificação, automação e digitalização de indústrias, negócios e residências. Suas tecnologias permitem que edifícios, data centers, fábricas, infraestruturas e redes funcionem como ecossistemas abertos e interconectados, aumentando desempenho, resiliência e sustentabilidade. O portfólio inclui dispositivos inteligentes, arquiteturas definidas por software, sistemas impulsionados por inteligência artificial, serviços digitais e consultoria especializada. Com 160 mil colaboradores e 1 milhão de parceiros em mais de 100 países, a Schneider Electric é constantemente reconhecida como uma das empresas mais sustentáveis do mundo.