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População 60+: Conheça os 5 golpes digitais mais comuns contra idosos

por Paulo Fernandes Maciel

Conheça os 5 golpes digitais mais comuns que afetam a população 60+

Especialista alerta para o avanço das fraudes online direcionadas à população 60+ e explica como identificar tentativas de golpe antes que elas causem prejuízos financeiros e emocionais

Os golpes digitais contra idosos estão cada vez mais sofisticados e passaram a figurar entre as formas mais recorrentes de violência financeira contra a população 60+. Aplicativos de mensagens, ligações falsas, perfis clonados e até ferramentas de inteligência artificial vêm sendo utilizados por criminosos para explorar a confiança e a vulnerabilidade desse público, causando prejuízos financeiros e emocionais.

Um levantamento inédito da Fundação Seade revelou que 82% das pessoas com 60 anos ou mais no estado de São Paulo já sofreram tentativas de golpes virtuais por meio de mensagens, e-mails ou ligações fraudulentas. Embora o percentual seja inferior ao observado entre adultos de 30 a 59 anos, faixa em que os índices superam 90%, o dado mostra que os idosos também estão amplamente expostos aos riscos do ambiente digital, um cenário que reflete uma realidade observada em todo o país.

População 60+

Para o advogado Mário Henrique Martins, do Martins Cardozo Advogados Associados e especialista em Direitos Difusos e Coletivos, a combinação entre a rápida digitalização dos serviços e a evolução das técnicas utilizadas pelos fraudadores criou um ambiente especialmente desafiador para a população idosa.

“Os criminosos estão utilizando recursos cada vez mais sofisticados para enganar as vítimas, explorando sentimentos como confiança, medo e urgência. Em muitos casos, o prejuízo vai além da questão financeira e afeta diretamente a autonomia, a segurança e a qualidade de vida do idoso. A informação e a educação continuam sendo as principais ferramentas de prevenção”, afirma.

Diante desse cenário, o especialista lista os golpes digitais mais comuns aplicados contra idosos em 2026 e as principais formas de proteção para a população 60+.

  1. Golpe da falsa central bancária o campeão

“Os criminosos costumam criar uma sensação de urgência para impedir que a vítima reflita antes de agir. Quando alguém pede senhas, códigos de autenticação ou transferências sob o argumento de proteger uma conta bancária, o primeiro passo deve ser interromper o contato e buscar confirmação diretamente com a instituição financeira. Nenhum banco solicita esse tipo de procedimento por telefone”, alerta o advogado.

  1. Clonagem de voz por inteligência artificial

“A inteligência artificial tornou os golpes mais sofisticados porque permite reproduzir vozes com um grau de realismo cada vez maior. Hoje, ouvir a voz de um familiar não é mais uma garantia de autenticidade. Sempre que houver um pedido de dinheiro fora do habitual, a orientação é confirmar a situação por outros canais antes de qualquer transferência”, explica.

  1. Falso pedido de atualização cadastral

“Muitas fraudes começam com uma mensagem aparentemente simples informando a necessidade de atualizar dados ou regularizar um cadastro. O objetivo é obter informações pessoais e bancárias da vítima. Por isso, é fundamental evitar clicar em links recebidos por mensagens e acessar apenas canais oficiais das empresas ou instituições envolvidas”, recomenda Mário.

  1. Golpe do falso benefício ou restituição

“Promessas de valores a receber costumam despertar interesse imediato, especialmente quando envolvem aposentadorias, benefícios sociais ou restituições. O consumidor precisa ter em mente que órgãos públicos não exigem pagamentos antecipados para liberar recursos. Sempre que houver cobrança prévia para acesso a um suposto direito, existe um forte indicativo de fraude”, ressalta.

  1. Golpe do WhatsApp clonado

“Grande parte dos casos poderia ser evitada com medidas básicas de segurança digital. A autenticação em duas etapas cria uma camada adicional de proteção e dificulta significativamente a ação dos criminosos. Além disso, pedidos urgentes de dinheiro enviados por aplicativos de mensagens devem ser confirmados diretamente com a pessoa antes de qualquer decisão”, orienta o advogado.

Informação é a principal ferramenta de proteção contra os golpes digitais

Segundo Mário, o enfrentamento à violência digital contra a população 60+ exige uma combinação entre educação digital, apoio familiar e conscientização jurídica. “Muitos idosos foram educados em uma cultura baseada na confiança e acabam se tornando alvos preferenciais de criminosos que exploram justamente essa característica. Conversar sobre golpes, compartilhar informações e estimular a checagem de dados antes de qualquer decisão financeira são atitudes simples que podem evitar prejuízos significativos”, destaca.

O advogado reforça que conhecer os próprios direitos também é uma forma de proteção. “Em muitos casos, a vítima acredita que não há o que fazer após o golpe. No entanto, dependendo das circunstâncias, é possível buscar responsabilização dos envolvidos e reparação dos danos. A informação continua sendo a melhor defesa contra qualquer fraude”, conclui o advogado.

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