IA entrou oficialmente no currículo escolar e os alunos brasileiros vão aprender IA
O Conselho Nacional de Educação aprovou um parecer prévio que irá mudar o destino da educação brasileira. Escolas já se movimentam para se adaptar às medidas pois os alunos brasileiros vão aprender IA
Aprovado em 11 de maio de 2026 pelo Conselho Nacional de Educação, o parecer prévio traz recomendações para o uso de IA na educação básica e superior. O documento não é uma lei, nem resolução, é uma recomendação com caráter orientativo. As que dão conta que os alunos brasileiros vão aprender IA instituições terão autonomia para adotar ou não as medidas.
O parecer propõe para a educação básica que os conteúdos devem ser integrados de forma “planejada, articulada e progressiva”, sendo as diretrizes de ensino do tema voltadas para compreensão básica de sistemas computacionais e aplicações de IA; pensamento lógico, analítico e crítico; reflexão sobre implicações éticas, sociais e culturais; compreensão do papel dos dados nos sistemas de IA.

O texto também conta com uma recomendação voltada para o desenvolvimento de capacidades metacognitivas (refletir sobre o próprio processo de pensamento mediado por IA). As orientações pedagógicas estão presentes de forma incisiva, já que no ensino básico será necessária uma articulação entre letramento em IA, digital, midiático e computacional.
Dados
Dados do TIC Educação 2024, divulgada pelo Cetic.br e NIC.br (set/2025), indicaram que 7 em cada 10 alunos do ensino médio usuários de internet usam usam IA generativa (ChatGPT, Copilot, Gemini) para pesquisas escolares e apenas 32% receberam orientação escolar sobre uso seguro. De acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Itaú, 79% dos professores brasileiros já usaram IA e mais da metade usa a ferramenta para preparar aulas ou corrigir provas (dados da Talis/OCDE).
Com essa nova grade curricular em mente, as escolas já estão se mobilizando para enfrentar essas novas mudanças. A comunicação com as famílias será uma questão central para que haja transparência em relação a quais ferramentas de IA serão utilizadas e orientações dos pais e responsáveis sobre o uso seguro em casa.
A diretora da ESB (Escola Suíço-Brasileira), Rachel Guanabara, comenta que as IA’s podem auxiliar os alunos no aprendizado de outros idiomas: “O uso de inteligência artificial nas escolas tem crescido exponencialmente entre alunos e professores. No ensino de idiomas, especialmente de inglês, esse movimento é ainda mais evidente: ferramentas de IA permitem que cada estudante pratique conversação, pronúncia e escrita no próprio ritmo, algo que antes dependia de horas extras de tutoria individual. Cabe à escola, agora, ensiná-los a usar essas ferramentas com discernimento.”
O ensino de línguas, com destaque para o inglês, tem produzido transformações significativas no cotidiano escolar. Isso ocorre porque o ensino de idiomas combina repetição, prática conversacional, correção contínua e personalização, com algoritmos adaptados ao nível de proficiência e estilo de aprendizagem do aluno.
Capacitação dos professores
Entre os desafios, a capacitação dos professores, das equipes pedagógicas e do corpo docente como um todo, se fará essencial para que a IA seja implementada de forma segura. O professor agora deixa de ser fonte única de informação e passa a curar conteúdos, avaliar respostas geradas por IA e mediar a relação do aluno com as ferramentas.
Rachel avalia que as escolas terão que se adaptar a esse novo modelo “O maior desafio das escolas brasileiras nos próximos anos não é adquirir ferramentas de IA — é formar professores capazes de usá-las com intencionalidade pedagógica. Nenhuma tecnologia entrega resultado sem mediação humana qualificada.”
Uma tendência apontada pela Fundação Lemann para 2026 é de que “a qualidade das soluções tecnológicas torna-se tão relevante quanto a formação dos professores para utilizá-las de forma crítica, ética e intencional”