Home Noticias Fraudes com Pix afetam decisões e já responsabilizam bancos

Fraudes com Pix afetam decisões e já responsabilizam bancos

por Paulo Fernandes Maciel

Fraudes com Pix crescem e 60% das decisões já responsabilizam bancos

O crescimento das fraudes digitais no Brasil incluindo as Fraudes com Pix passou a impactar diretamente o risco jurídico de bancos e fintechs. Um levantamento jurimétrico elaborado pela Turivius, por meio do GPTuri, seu assistente de inteligência artificial, analisou 124 decisões judiciais proferidas entre 2021 e 2025 e indica uma mudança relevante no entendimento do Judiciário: a taxa de condenação de instituições financeiras subiu de 40% em 2021–2022 para 60% em 2024–2025.

O estudo reuniu decisões de tribunais estaduais (TJSP, TJRJ, TJMG, TJRS e TJPR), além de tribunais regionais federais e do STJ. Os casos foram identificados e classificados com base em critérios temáticos previamente definidos — como tipo de fraude, desfecho, fundamentos jurídicos e valores envolvidos. Ao todo, 14 decisões foram excluídas por não se enquadrarem no escopo da análise.

Fraudes com Pix

A curva de crescimento indica uma tendência consistente de maior responsabilização das instituições financeiras, especialmente em casos relacionados ao Pix, que já concentra 35% das fraudes analisadas — seguido por empréstimos não contratados (24%) e fraudes com cartão (23%).

Falsa central

Entre os golpes mais recorrentes, o chamado “golpe da falsa central” aparece em 31% das decisões, evidenciando um padrão de fraude que combina engenharia social com fragilidades operacionais. Em muitos desses casos, a Justiça tem reconhecido falhas como ausência de bloqueios preventivos, monitoramento inadequado de transações atípicas e respostas tardias das instituições.

Os impactos financeiros são relevantes. Nos casos envolvendo Pix, o valor médio de indenização por dano material foi de R$ 41,2 mil, além de cerca de R$ 10 mil em danos morais — com registros que ultrapassam R$ 150 mil em situações mais graves.

Mais do que os valores, o estudo revela um ponto crítico para áreas jurídicas e de risco: os critérios que determinam quando bancos perdem ou vencem ações estão se tornando mais previsíveis. Segundo a análise da Turivius, instituições tendem a ser condenadas quando há falhas claras de segurança ou ausência de mecanismos de mitigação de fraude, enquanto decisões favoráveis ocorrem principalmente em casos de colaboração direta do cliente.

Turivius

Para Danilo Limoeiro, CEO e cofundador da Turivius, o dado mais relevante não é o volume de fraudes, mas a mudança no padrão decisório. “A taxa de condenação saiu de 40% para 60% em poucos anos. Isso mostra que o Judiciário está redefinindo o limite de responsabilidade dos bancos. Hoje, não basta alegar fraude — é preciso demonstrar que houve controle efetivo de risco e resposta adequada à operação suspeita”, afirma. Segundo ele, esse movimento já impacta diretamente provisões financeiras, desenho de produtos e estratégias de defesa. “O risco jurídico deixou de ser um efeito colateral da fraude e passou a ser parte central do modelo de negócio de bancos e fintechs.”

O levantamento sobre Fraudes com Pix afetam decisões e já responsabilizam bancosanalisou decisões de tribunais estaduais (TJSP, TJRJ, TJMG, TJRS e TJPR), tribunais regionais federais e do STJ. Os casos foram classificados por tipo de fraude, resultado, fundamento jurídico e valores envolvidos por meio da plataforma de jurimetria da Turivius.

Sobre a Turivius

Fundada em 2019, a Turivius é uma plataforma de inteligência jurídica que integra análise jurisprudencial avançada, jurimetria aplicada e inteligência artificial para apoiar o advogado em decisões complexas. A tecnologia estrutura grandes volumes de dados, organiza precedentes e gera análises que ampliam a capacidade estratégica do profissional. Para saber mais, acesse: https://turivius.com/

Você também pode gostar

Deixe um Comentário

Ao navegar neste site, você aceita os cookies que usamos para melhorar sua experiência. Aceito Mais informações